-25- Um amigo de seu filho Armando avisou-a de que ele estava preso. Foi procurá-lo na DINCOTE, na delegacia e nos hospitais, sem resultado algum. Depois foi à Universidade, onde se inteirou bem dos fatos. Juntamente com outros familiares apresentou denúncias. Só a APRODEH lhes “estendeu a mão”, pois todos pensavam que seus filhos eram terroristas, e por isso eram marginalizados, não encontram trabalho e as pessoas não os veem “com bons olhos”. A única coisa que encontrou do filho nas fossas clandestinas foram suas chaves. “Nesse momento viu seu mundo cair, e queria morrer também; mas depois disse: ‘Não, se eu morrer, quem falará por ele, quem pedirá justiça pelo meu filho?’”. A investigação realizada pelo promotor Cubas foi transferida para a justiça militar, mas ali “nunca […] aceitaram” os familiares. Quando se encerrou o governo de Fujimori os familiares realizaram gestões junto à Promotoria para que o caso fosse reaberto. No atual processo, no qual prestou depoimento, “não estão [sendo julgados] os militares das mais alta patente que ordenaram que os estudantes de La Cantuta fossem mortos”. Foi ameaçada “muitas vezes”: recebeu telefonemas e uma coroa de flores que dizia que ia “morrer, como [seu] filho”. Sua família “já não é como antes. Um d[os] filhos está mal”. Às vezes os filhos reclamam por [ela] não estar mais ao lado deles, mas explica que “é necessário continuar caminhando”. Antes de levarem seu filho, lavava roupa e trabalhava no mercado. Deixou de trabalhar para se dedicar a buscar justiça. Recebeu uma indenização econômica com a qual comprou uma casa e pagou as dívidas que assumira ao realizar investigações. Entretanto, “esse não é o preço de [seu] filho”. No monumento “O Olho que Chora”, doado pelo Município de Jesus Maria, escreveu o nome do filho, mas “não sabia que o Estado havia mandado construí-lo”. c) Antonia Pérez Velásquez, esposa de Hugo Muñoz Pérez Quando seu esposo foi detido, procurou as autoridades da Universidade, que lhe disseram não saber de nada do que havia ocorrido. O pessoal da base militar da Universidade lhe disse que não houvera nenhuma operação. Por essa razão, procurou delegacias, quartéis e a DINCOTE, sem resultado algum. “Era como se a terra o houvesse tragado”. Os meios de comunicação lhe disseram que era “praticamente […] impossível que veiculassem alguma notícia, alguma informação porque […] tinham medo da reação do governo”. Alguns familiares ou amigos militares lhe diziam que não fizesse nada e que ficasse calada porque ela e os filhos corriam perigo, já que o desaparecimento de seu marido havia “sido algo de governo, algo vindo bem do alto”. O desaparecimento do marido a “afetou fortemente, primeiro porque de imediato [se] transform[ou] em mãe sozinha, com dois filhos pequenos, com menos de quatro anos de idade, e [depois porque] após [ter] uma casa bonita, cômoda, na Universidade, com uma vida relativamente tranquila, tev[e], de repente, de abandoná-la para garantir a segurança [dela e dos] filhos, e [teve] de [se] alojar numa casa pequena. [Pediu] moradia a um

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