-26familiar […]. Rapidamente [se] vi[ram] morando no terraço dessa casa, tive[ram] de improvisar dois quartos com papelão, madeira e esteiras […] Começa[ram] a viver em condições precárias”. Seu esposo era tão “dedicado aos filhos” que a filha mais velha foi a mais afetada por seu desaparecimento. Mentiu para a filha sobre o que havia acontecido com o pai dizendo que ele havia viajado a trabalho, mas ela não acreditava. Quando ela demorava a chegar em casa, sua filha pensava que tampouco [ela] voltaria. O desaparecimento do marido também a “afetou no que se refere ao trabalho […] porque já não era mais a professora solícita e dedicada a[os] alunos. Tinha de pedir licença para ausentar-se, tinha de sair constantemente, e na prática, por ética profissional, tev[e] de se demitir, renunciando a [seus] direitos ou a [seus] benefícios [… Teve] de pedir demissão para poder continuar os trâmites [...] e seguir com as atividades de investigação […]”. Isso afetou a família economicamente. Não encontrou nada do marido nas fossas descobertas. As autoridades, entretanto, recolheram amostras de sangue do filho mais novo para fazer o teste de DNA, cujo resultado desconhece. Na época dos fatos “era normal que qualquer cidadão […] fosse preso e levado para investigação sob a alegação de que era terrorista. [Ao] escutar a palavra terrorismo, todos se afastavam dessa pessoa”. Assim, seus amigos e alguns familiares lhes “deram as costas”, pois acreditavam que seu esposo era terrorista. “Todos viviam […] angustiad[os, pois] a qualquer momento saiam de casa sem saber se [iam] voltar”. Considerou que havia na população a consciência de uma prática sistemática e do terrorismo de Estado. A cunhada que a acompanhava nas diligências e caminhadas era seguida com certa frequência por um carro. Por outro lado, os filhos tinham medo de que prestasse depoimento perante a Corte Interamericana. Os familiares das pessoas mortas ou desaparecidas não tiveram acesso ao foro militar. Posteriormente, com a queda do governo de Fujimori, houve esperança de se alcançar justiça, mas não foi isso que aconteceu. No processo atual, no qual prestou depoimento perante a Promotoria, há apenas alguns acusados e outros estão livres. O processo é longo e tedioso. Participou de uma diligência que foi “terrível porque a pessoa que prestava depoimento contou com riqueza de detalhes como […] havia matado [seu] marido”. Desde então não voltou mais porque se “senti[u] mal e ficou impressionada”. Seu cunhado e os demais familiares a mantêm a par do processo. Não recebeu pedido de perdão pelo que ocorreu com seu marido. Embora o necessitem, nem os filhos nem ela receberam atendimento psicológico. Não conseguiu superar o que aconteceu com o marido. De sua perspectiva de educadora, a educação e a saúde devem fazer parte de uma reparação integral. Desse modo, pensa que “os seres humanos, não [podem] permitir [que sejam] abusados. […] São valores que devem ser ensinados a[o]s jovens”. Solicitou justiça à Corte; e que sejam julgadas e punidas todas as pessoas envolvidas, não somente os autores materiais, como também os intelectuais; que a Universidade não “seja esquecida”. B) APRECIAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL

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