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135. Frente às denúncias dos familiares das vítimas, da APRODEH e do Reitor da
Universidade de La Cantuta, em agosto de 1992, iniciou-se uma investigação no foro
comum, especificamente na Oitava Promotoria Provincial Penal (pars. 80.21 a 80.23 supra).
Por sua vez, em consequência da descoberta de fossas clandestinas em Cieneguilla e em
Huachipa, a Décima Sexta Promotoria Provincial Penal de Lima realizou diligências paralelas
de investigação a partir de julho de 1993 (pars. 80.30 e 80.31 supra). Durante as
diligências de exumação e identificação realizadas por essa Promotoria, constataram-se
diversas falhas quanto à identificação de outros restos humanos encontrados. Além disso,
não foram realizadas outras atividades para a busca dos restos mortais das demais vítimas.
136. Na primeira das investigações iniciadas na jurisdição penal comum, a promotora que
substituiu o promotor titular se absteve de continuar conhecendo da investigação, uma vez
que o Tribunal de Guerra do CSJM “invocou jurisdicionalmente o conhecimento dos mesmos
fatos da presente denúncia”. Substituições dessa natureza, realizadas no âmbito da
reestruturação do Poder Judiciário iniciada em abril de 1992, qualificada pela CVR como “um
claro mecanismo de ingerência e controle do poder político”, 112 fazia parte de uma
articulação concatenada para resguardar supostos autores materiais e intelectuais da
administração de justiça competente, no contexto de impunidade assinalado (par. 81
supra).
137. Por sua vez, o foro militar havia iniciado suas próprias investigações em abril de
1993, paralelamente às conduzidas no foro comum (pars. 80.42 e 80.43 supra). Em
consequência, o CSJM afirmou haver um “conflito de competência” perante o foro comum e,
ao resolvê-la, inicialmente na Câmara Penal da Corte Suprema da República, declarou sua
divergência a respeito do foro ao qual deveria ser encaminhado o processo contra os
militares citados como responsáveis (par. 80.48 supra). Em virtude disso, o chamado
“Congresso Constituinte Democrático” aprovou uma lei que modificou a votação então
exigida para resolver as disputas de jurisdição. Com base nessa manipulação jurídica,
manifestamente articulada pelos três poderes do Estado para favorecer o envio das
investigações ao foro militar,113 alguns dias depois a Câmara Penal da Corte Suprema, com
efeito, dispôs que o conhecimento da causa fosse encaminhado ao CSJM (pars. 80.50 e
80.51 supra).
138. Isso significa que, de fevereiro de 1994 até o ano de 2001, a jurisdição penal comum
foi impedida de conhecer dos fatos. Em maio de 1994, foram condenados no foro militar
oito oficiais do Exército e, em agosto do mesmo ano, foram extintos os processos contra
três pessoas indiciadas como autores intelectuais dos fatos (pars. 80.55 e 80.57 supra).
112
Cf. Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, 2003, Tomo III, Capítulo 2.6, “A atuação do
sistema judicial durante o conflito armado interno”, p. 265. Nesse sentido, o Relator Especial das Nações Unidas
Encarregado da Questão da Independência dos Juízes e Advogados ressaltou com preocupação que, em
consequência desse processo de reestruturação do Poder Judiciário, o Poder Executivo e as autoridades
hierárquicas do Poder Judiciário destituíram sumariamente juízes e promotores de todos os níveis e, em seu lugar,
“[f]oram nomeados novos juízes, em caráter provisório, cujas qualificações não foram previamente avaliadas, pela
mesma comissão criada para destituir os juízes anteriores. Consequentemente, no final de 1993, mais de 60% dos
cargos da magistratura estavam ocupados por juízes que haviam sido designados em caráter provisório” (Cf.
Relatório do Relator Especial Encarregado da Questão da Independência dos Juízes e Advogados, senhor Param
Cumaraswamy. Aditivo do Relatório da Missão ao Peru. E/CN.4/1998/39/Add.1, de 19 de fevereiro de 1998, par.
17/20).
113
Cf. Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, 2003, Tomo VII, 2.22, “As execuções
extrajudiciais de universitários de La Cantuta (1992)”, p. 241 a 245.
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