massacre, pois do que era sua casa não encontrou nem os restos”. 270 A senhora María Erlinda Amaya Márquez relembrou que, “[n]o ano do massacre[,] todas as plantações se perderam porque tiveram que fugir e deixá-las. Depois do massacre tudo mudou em sua vida, na atualidade não possui nem uma colméia, teve de iniciar desde o início a produção de seu pomar para subsistir. […] ela se dirigiu a Colomancagua […,] lugar no qual permaneceu até depois da guerra quando lhe chegou o tempo de regre[ssar. E]la não queria regressar ao lugar, ela fazia o esforço de vir porque pensava que poderia encontrar seus filhos, mas era inútil porque já haviam sido mortos”. 271 190. Além disso, algumas pessoas deslocadas internas voltaram a seus lugares de origem por conta própria e outras se estabeleceram na comunidade de Segundo Montes, em geral ao concluir o conflito armado. Sobre esse particular, a perita Yáñez De La Cruz explicou que as vítimas que retornaram o fizeram “a partir de 1991 [a] 1992, quando a guerra acabou, e regressam a um lugar que já não é o lugar, ainda que eles venham ao lugar onde estavam, [agora] está queimado, todos dizem que já não é e têm de ir a outros lugares”. 272 A senhora María del Rosario López Sánchez expressou que “em La Joya começaram a repovoá-la em 1995, uma parte regressou e a outra parte vive em San Luís, em Segundo Montes”. 273 O senhor Juan Antonio Pereira Vigil relatou que, em 1992, regressou com seus próprios esforços a El Mozote, onde alugou, enquanto reconstruía sua casa e trabalhava em seus próprios terrenos no povoado de Los Toriles, “mas se sentia melhor por estar perto de seus terrenos porque eram seus […] expressa que ansiava voltar a suas terras, mas como era zona de guerra, não era possível viver ali, mas no entanto, desde o povoado de Mázala, jurisdição de Joateca, ele visitava seus terrenos para ver como estavam”. 274 191. Quanto a este elemento, o Estado não proporcionou informação alguma sobre as medidas que teria adotado para assegurar condições para o retorno tanto dos deslocados forçados internos como daqueles que foram obrigados a sair a Honduras em busca de refúgio. Além do mais, os diversos relatórios acompanhados pelos representantes, ainda quando o Estado lhes teria objetado a credibilidade (par. 17 supra), são consistentes quanto a que em 1985 se encontravam em funcionamento a Comissão Nacional para a Assistência de Pessoas Deslocadas em El Salvador (CONADES) e a Comissão Nacional para a Restauração de Áreas (CONARA), assim como outras iniciativas do próprio Estado, da Igreja ou de organismos internacionais e não governamentais para oferecer possibilidades de repatriação, reassentamento e assistência aos deslocados. Ao mesmo tempo, estes relatórios se referem a duas questões que teriam incidido no fato de que muitas pessoas não solicitaram ou tiveram medo de solicitar assistência aos programas estatais: por um 270 Declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Juan Bautista Márquez Argueta em 1º de abril de 2012 (expediente de prova, tomo XVII, affidavits, folhas 10277 a 10278), e Declaração testemunhal prestada por Juan Bautista Márquez perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 30 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folhas 1657 e 1659). 271 Declaração juramentada prestada por María Erlinda Amaya Márquez ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese em 25 de junho de 2011 (expediente de prova, tomo VIII, anexo 3 ao escrito de petições, argumentos e provas, folha 5590). 272 Perícia apresentada por María Sol Yáñez De La Cruz perante a Corte Interamericana na audiência pública celebrada em 23 de abril de 2012. 273 Declaração juramentada prestada por María del Rosario López Sánchez ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese em 19 de junho de 2011 (expediente de prova, tomo VIII, anexo 3 ao escrito de petições, argumentos e provas, folhas 5522 a 5523). 274 Declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Juan Antonio Pereira Vigil em 2 de abril de 2012 (expediente de prova, tomo XVII, affidavits, folhas 10289 a 10291). 72

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