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bairro e ele foi culpado porque tinha antecedentes criminais. Nessa oportunidade, esteve um
ano e teve um advogado. Posteriormente, ao cumprir 20 anos, passou à Penitenciária de
Tacumbú. Já lhe concederam sua liberdade três vezes, mas um oficial lhe disse que tem
outras causas pendentes e, portanto, não o deixam sair.
No dia do incêndio de 11 de fevereiro de 2000, estava dormindo e se queimou. Esteve
internado no hospital por um mês. No dia do incêndio, alguns internos já estavam mortos
quando um zelador abriu a porta. Os bombeiros chegaram duas horas depois de iniciado o
incêndio. Um de seus companheiros já tinha sua liberdade desde dezembro de 1999, mas
não lhe havia sido conferida. Já não quer se recordar do tema do Instituto.
Solicitou à Corte sua liberdade e que se faça justiça em virtude do que aconteceu no
Instituto. Além disso, solicitou uma oportunidade, já que percorreu várias penitenciárias.
d) Testemunho de Hugo Antonio Vera Quintana, ex-interno do Instituto
Entrou pela primeira vez ao Instituto com 15 anos de idade. Posteriormente, como castigo,
foi transferido à penitenciária de Oviedo, onde esteve em contato com maiores de idade.
Não se recorda do ano do incêndio, nem do tempo que esteve internado no hospital. A
penitenciária é um “mundo tremendo”.
No Instituto, a cela era muito pequena e a porta sempre estava fechada. Além disso, não
tinha lençóis, sabão, nem pasta de dentes. A comida não era nem “ruim nem boa”. No
Instituto teve um advogado, mas não foi condenado. Havia professores, mas não tinha
vontade de aprender, já que foi à escola, mas nunca passou de série. Os guardas lhe batiam
e o enviavam ao porão. No Instituto somente aprendeu “traumas e pensamentos ruins”.
Solicitou à Corte que lhe conceda sua liberdade e um trabalho, já que tem dificuldade para
conseguir trabalho em razão de que já está marcado.
e) Testemunho de Jorge Daniel Toledo, ex-interno do Instituto
Foi interno do Instituto, onde nunca foi atendido por um médico, nem por uma dentista e
somente um tempo depois foi assistido por uma advogada. O Instituto era um “lugar feio” e,
portanto, os menores não deveriam estar ali.
Os guardas o tratavam bem e, embora seja verdade que diziam levar os internos ao porão
para bater neles com paus, disso ele não tem conhecimento, já que nunca encostaram nele.
Além disso, tinha duas horas por dia para sair à quadra. Também tinha visitas e um
colchão. A comida era boa. Fumava cigarros e maconha. O tempo que esteve no Instituto
somente lhe serviu “para pior”.
Em relação ao incêndio, apesar de que culparam um zelador, foram os internos os
responsáveis. O incêndio foi provocado por eles com a intenção de fugir e os próprios
internos trancaram o cadeado com uma lâmina de barbear.
Quando começou o incêndio, ele estava dormindo. Os internos saíram do local porque o
cadeado “saiu sozinho”. Não havia extintor, tardaram muito em ajudá-los e saíram depois
da chegada dos bombeiros. Alguns companheiros morreram para salvar outros. O interno
que acendeu o fogo se encontra livre. A testemunha não quer se recordar do incêndio.
Ele gostaria de estudar, já que somente aprendeu a ler. Saiu em liberdade, mas voltou a