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Como senador e integrante da Comissão Bicameral de Investigações, a testemunha
participou na Subcomissão responsável pela investigação de supostos fatos de
corrupção que envolviam o senhor Juan Carlos Wasmosy e a empresa CONEMPA. As
denúncias de corrupção que envolviam o senhor Wasmosy e a empresa CONEMPA se
basearam em fatos reais de corrupção, e produziram danos significativos a Itaipu e,
por conseguinte, aos Estados associados nesta entidade.
A testemunha conhece o senhor Canese, encontrou-se com ele, pela primeira vez,
nos anos setenta, durante o exílio da suposta vítima na Holanda, já que requeria de
seus conhecimentos como especialista em temas energéticos, especialmente nas
represas hidroelétricas binacionais sobre o rio Paraná. Desde então mantiveram uma
relação centrada nestes temas.
Desde a década de setenta, o engenheiro Ricardo Canese participou em destacadas
atividades públicas e de interesse nacional, relacionadas aos temas energéticos
mencionados, a respeito dos quais é considerado uma das principais autoridades do
país. No início da década de noventa, o senhor Canese continuou seu trabalho de
investigação e publicação de livros e artigos sobre estes temas e, além disso, teve
uma participação de grande relevância na vida política do país, já que foi eleito
Vereador Municipal e Presidente da Câmara Municipal de Assunção, e foi candidato à
Presidência da República do Paraguai.
O processo eleitoral para eleger o Presidente da República, que finalizou em maio de
1993, foi realizado em pleno período de transição à democracia. Pela primeira vez
no processo de eleições gerais regia a nova Constituição Nacional, a qual garantia
“uma base de limpeza e igualdade para as campanhas dos diversos candidatos”.
Nesse processo eleitoral a difusão de informação através das campanhas e da
imprensa foi muito maior do que no passado. Era chave para o processo de
democratização que o eleitorado estivesse bem informado sobre os antecedentes de
cada um dos candidatos e, em particular, daqueles que haviam tido participação ou
benefícios durante a ditadura.
As declarações realizadas pela suposta vítima sobre as relações do senhor Wasmosy
com o ex-ditador Stroessner tiveram grande relevância, já que o senhor Canese,
como especialista sobre a Itaipu, salientou essa colaboração do senhor Wasmosy
com a ditadura para que o eleitorado tivesse maior conhecimento dos fatos no
momento de emitir seu voto. Para a testemunha, as declarações do senhor Ricardo
Canese “se ajustaram, em todo o momento, à verdade dos fatos”.
A proibição para sair do país imposta à suposta vítima produziu danos incalculáveis
em relação aos trabalhos da Comissão Bicameral de Investigação do Congresso
sobre Itaipu, já que, devido ao caráter binacional de Itaipu, grande parte dos
trabalhos da referida Comissão deveriam se realizar no Brasil com a participação de
investigadores e parlamentares deste país.
O senhor Canese teria oferecido colaboração fundamental no trabalho que a
Comissão Bicameral de Investigação do Congresso realizava sobre Itaipu, se tivesse
sido permitido sair livremente do país quando as ações desta Comissão assim o
requeriam. Os trabalhos da referida Comissão neste caso não contribuíram
decisivamente a eliminar a impunidade e, por conseguinte, não produziram todos os
resultados positivos para o país que poderiam ter sido alcançados.