Horacio Urán Rojas527. Esta Brigada é justamente um dos lugares para onde os detidos do
Palácio da Justiça foram transferidos (par. 196 supra). Ademais, segundo declaração da
senhora Bidegain, o corpo de seu esposo foi-lhe entregue sem seus objetos pessoais, mas
muitos dias depois a entregaram a aliança de casamento e um chaveiro da Universidade de
Notre Dame, embora nenhum dos dois objetos possuísse seu nome ou características que
permitissem identificá-los como pertencentes ao senhor Urán Rojas528.
344. Adicionalmente, existem outros indícios que Carlos Horacio Urán Rojas não morreu no
dia 7 de novembro dentro do Palácio da Justiça, pois seu corpo não apareceu, senão, no dia 8
de novembro. Neste sentido, amigos do senhor Urán Rojas foram, em 7 de novembro, ao
Palácio da Justiça e procuraram seu corpo “de forma minuciosa” no primeiro andar do Palácio
da Justiça, sem encontrá-lo529. Nesse mesmo dia a noite, Luz Helena Sánchez Gómez
compareceu ao Instituto de Medicina Legal, onde lhe “permitiram não só olhar as bandejas e
as mesas, mas também as câmaras frias que estavam cheias, e não encontrou Carlos
Horácio”. Foi no dia seguinte que encontrou “em um lugar diferente de onde havia [...]
procurado na noite anterior”, na chamada sala dos guerrilheiros, onde encontrou o senhor
Urán Rojas530. Segundo o relatório de autópsia, o cadáver de Carlos Horacio foi levado ao
Instituto de Medicina Legal, no dia 7 de novembro às 19 horas531.
B.2.c. Autópsias realizadas no corpo de Carlos Horacio Urán Rojas
345. Na ata de remoção correspondente ao cadáver de Carlos Horacio Urán Rojas, foi
registrada a morte de uma pessoa do sexo masculino, em 7 de novembro de 1985, às 15
horas. A ata foi elaborada no pátio do Palácio da Justiça, mas fez-se notar que a posição do
corpo era “artificial”532. Em 8 de novembro, foi realizada a autópsia533. Posteriormente, em
2010, o corpo foi exumado, foi realizada uma nova autópsia e, em fevereiro de 2011, o
Instituto Nacional de Medicina Legal elaborou um Relatório Pericial sobre as autópsias
praticadas no mencionado cadáver534.
346. Os estudos realizados com o corpo do senhor Urán Rojas indicam que este apresenta
diferentes lesões, que incluem: lesões por mecanismo explosivo, lesões no rosto, lesões nas
extremidades inferiores e uma lesão na cabeça por disparo de arma de fogo 535. Esta última
lesão
527
Durante essa inspeção foram encontrados, entre outros, sua identificação expedida pelo Conselho do Estado, seu cartão da
Coviajes, sua carteira de motorista colombiana, sua carteira profissional de advogado, sua carteira de identidade, e sua carteira
de motorista de Indiana, Estados Unidos de América. Cf. Inspeção Judicial, de 1° de fevereiro de 2007, (expediente de prova, fls.
18.780, 18.782, e 18.784 a 19.791).
528 Cf. Declaração de Ana María Bidegain, de 22 de fevereiro de 2007, prestada perante a Promotoria (expediente prova, fls. 1.296
e 1.297).
529
Cf. Declaração de Germán Castro Caycedo, de 2 de abril de 2012, perante o 35° Ofício de Notas de Bogotá (expediente de
prova, fl. 14.683); e Declaração de Teresa Morales de Gómez, de 11 de maio de 2012, perante o Ofício de Notas (expediente de
prova, fl. 14.692).
530 Cf. Declaração de Luz Helena Sánchez Gómez, de 16 de agosto de 2007, perante a Promotoria (expediente de prova, fls.
14.636 e 14.637).
531 Cf. Relatório de autópsia n° 3.783-85 (expediente de prova, fl. 15.974).
532 Cf. Ata de remoção de cadáver n° 1.128 (expediente de prova, fl. 20.175).
533 Cf. Relatório de autópsia n° 3.783-85 (expediente de prova, fls. 15.974 a 15.980).
534
Cf. Relatório pericial de autópsia médico-legal, de 11 de fevereiro de 2011, (expediente de prova, fl. 15.900).
535 Cf. Relatório de autópsia n° 3.783-85 (expediente de prova, fl. 15.976); ata de remoção de cadáver n° 1.128 (expediente de
prova, fl. 20.176); e Relatório pericial de autópsia médico-legal, de 11 de fevereiro de 2011, (expediente de prova, fls. 15.905 e
15.906).
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