da Justiça como reféns. Um dos primeiros lugares tomados pela guerrilha foi a cafeteria no primeiro andar108. 95. O Presidente da República, após consultar os ministros e os ex-presidentes, decidiu “não negociar com os subversivos, mas [...] buscar sua rendição e o resgate das vidas dos reféns”109. Aproximadamente às 1:00 da manhã, foi iniciada a operação militar para a retomada do Palácio da Justiça com a entrada de tanques no subsolo do edifício, onde ocorreu um intenso confronto entre o grupo guerrilheiro e os militares. A respeito, o Tribunal Especial, constituído pelo Estado para a investigação dos fatos (par. 156 infra), assinalou que “a sangrenta e prolongada batalha causou numerosas baixas em ambos os lados e deu origem ao primeiro incêndio no subsolo, caracterizado pelo uso de armas automáticas, bombas e explosivos ”110. 96. Outro grupo de tanques ingressou pela entrada do Palácio da Justiça que se encontrava na Praça Bolívar. Paralelamente, entraram “vários esquadrões uniformizados”, incluindo policiais e soldados. Ademais, três helicópteros da polícia sobrevoavam a área. As forças armadas utilizaram metralhadoras, granadas, foguetes e explosivos na operação111. 97. O então Presidente da Corte Suprema, que se encontrava no quarto andar do Palácio, tentou por diversas vias o cessar fogo. Além disso, tentou comunicar-se por telefone, sem êxito, com o Presidente da República diretamente e através de várias pessoas, incluindo o Presidente do Congresso. Não obstante, suas solicitações foram transmitidas pela mídia112. 98. Aproximadamente às cinco da tarde, a força pública derrubou uma porta de aço localizada no terraço para ter acesso ao quarto andar do Palácio da Justiça. Em seguida, houve um confronto entre o M-19 e o Exército, que se prolongou até aproximadamente as duas da manhã. Na manhã de 7 de novembro, “os tanques começaram a bombardear novamente”. Às nove da manhã, o Presidente da República anunciou pelo rádio que “o Exército já tinha 108 Cf. Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fls. 115, 116 e 117); Declaração de Enrique Parejo González, prestada em 4 de dezembro de 2007, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 14.764), e Relatório do Tribunal Especial de Instrução (expediente de prova, fls. 30.530 e 30.493 a 30.496). 109 Cf. Ata do Conselho de Ministros n° 176, correspondente à sessão extraordinária de 7 de novembro de 1985 (expediente de prova, fl. 31.851). 110 Cf. Ata do Conselho de Ministros n° 176, correspondente à sessão extraordinária de 7 de novembro de 1985 (expediente de prova, fl. 31.851); Declaração de Jaime Castro Castro, Ministro do Governo na época dos fatos, prestada na audiência pública sobre o mérito, realizada no presente caso; Relatório do Tribunal Especial de Instrução (expediente de prova, fl. 30.497); Declaração de Belisario Betancourt Cuartas de 18 de novembro de 1988, perante a Comissão de Acusação da Câmara dos Representantes (expediente de prova, fl. 32.005); Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fls. 127, 128, 129 e 139); e Sentença do Tribunal Superior de Bogotá de 30 de janeiro de 2012 (expediente de prova, fl. 23.345). 111 Cf. Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fls. 130 e 132); Relatório do Tribunal Especial de Instrução (expediente de prova, fl. 30.496); Sentença do Tribunal Superior de Bogotá de 30 de janeiro de 2012 (expediente de prova, fls. 23.345, 23.395 e 23.396); e Declaração prestada em 5 de novembro de 2013, perante agente dotado de fé púbica (affidavit) por Julia Alba Navarrete Mosquera (expediente de prova, fl. 35.904). 112 A mensagem transmitida foi: “Por favor, nos ajudem, cessem fogo! A situação é dramática, estamos rodeados por pessoas do M19. Por favor, cessar fogo imediatamente! Divulgue perante a opinião pública, isso é urgente, é caso de vida ou morte. Estão me escutando? [...] Não conseguimos falar com eles, se não cessarem fogo imediatamente. Por favor, que o Presidente dê finalmente a ordem de cessar fogo [...]. Estamos à beira da morte. Vocês precisam nos ajudar. Têm que pedir ao governo para cessar fogo. Implorem para o Exército e a Polícia que se contenham... eles não entendem. Estão apontando suas armas para nós. Eu imploro para que parem de atirar por que estão dispostos a tudo [...] Somos magistrados, funcionários, somos inocentes... tentei falar com todas as autoridades. Tentei comunicar-me com o senhor Presidente, mas ele não está. Não consegui falar com ele [...]”. Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fls. 135 e 136). Ver também: Relatório do Tribunal Especial de Instrução (expediente de prova, fls. 30.505 e 30.506).

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