adentraram no Palácio da Justiça por volta das 11:00 da manhã e se dirigiram à cafeteria,
quando começou a tomada do Palácio da Justiça pelo M-19159.
138. Yolanda Santodomingo Albericci e Eduardo Matson Ospino sobreviveram à tomada e
retomada do Palácio da Justiça e saíram custodiados por agentes da força pública, em 6 de
novembro de 1985. As autoridades estatais “presumiram que haviam participado da tomada
do Palácio da Justiça”, por isso, após serem removidos, foram conduzidos ao segundo andar da
Casa del Florero, onde foram submetidos a longos interrogatórios, durante os quais foram
agredidos e humilhados160. De acordo com os tribunais internos, os integrantes do Exército
não incluíram seus nomes à lista de sobreviventes (par. 245 infra).
139. Depois da Casa del Florero, foram transferidos para as instalações da Direção de
Polícia judiciária e de Investigação (DIJIN), onde foram submetidos ao teste da luva de
parafina, conhecida na Colômbia como “guantelete”, para verificar se havia evidências de
disparo com arma de fogo, ambos descrevem que era “a parafina mais quente do mundo”161.
Por fim, foram transferidos ao Batalhão Charry Solano, onde desceram vendados e
algemados, foram separados e, novamente, sofreram agressões físicas e psicológicas enquanto
eram interrogados para que “colaborassem”162.
140. Eduardo Matson Ospino “informou que tinha amigos cujos pais eram congressistas ou
pessoas importantes”, entre os quais mencionou o General Miguel Maza Márquez, e a seu tio,
o Governador de Bolívar. De acordo com o relatado pelo senhor Matson Ospino, depois disso,
retornaram, lhe pediram desculpas e informaram que “tudo tinha sido um erro e que não
havia nenhum problema”163. Igualmente, a senhora Santodomingo Albericci declarou que
quando a deixaram sair lhe disseram “você entende que estava apenas retida, jamais passou
pela nossa cabeça nada a mais que isso”. Reiteradas vezes mencionaram que eles estavam
apenas retidos,
159
Yolanda Santodomingo Albericci informou que: “sentimos um estrondo, [...] e vi que Eduardo está atordoado, pálido, olhando
para uma mulher que estava no fundo da Cafeteria, não sabíamos quem era ou o que estava acontecendo, mas ela apontava um
revólver com os braços estendidos e gritou para que não nos movêssemos”. Eduardo Matson Ospino informou que diante do
ocorrido, pegou na mão de Yolanda Santodomingo Albericci e lhe disse para correr, correram em direção as escadas que levavam
ao segundo andar. Informou que durante o caminho, alguém disparou e ao chegar ao segundo andar ficaram encostados na
parede. Depois, Yolanda Santodomingo Albericci relatou que, um homem se aproximou deles e disse ser guerrilheiro do M-19, e
avisou para ficarem quietos, pois o Palácio da Justiça estava sendo tomado. Cf. Declaração de Yolanda Santodomingo Albericci, de
1° de agosto de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fls. 1.013 e 1.014), e Declaração de Eduardo Matson Ospino, de
10 de abril de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.213).
160 Sua saída foi registrada em uma fotografia onde é possível vê-los saindo do Palácio da Justiça, conduzidos por agentes da força
pública. Cf. Sentença do 3° Juizado Penal do Circuito Especializado de Bogotá, de 9 de junho de 2010 (expediente de prova, fls.
23.955 e 23.957); Ofício da DIJIN, de 14 de novembro de 1985 (expediente de prova, fl. 18.793); Declaração de Yolanda
Santodomingo Albericci, de 1° de agosto de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fls. 1.017 e 1.020); Declaração de
Yolanda Santodomingo Albericci prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso; e Fotografia
apresentada por Yolanda Santodomingo Albericci, em agosto de 2006 (expediente de prova, fl. 23.818).
161 Cf. Declaração de Yolanda Santodomingo Albericci prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso;
Declaração de Eduardo Matson Ospino, de 10 de abril de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.215); Relatório
da Comissão da Verdade (expediente de prova, fl. 180); e Declaração por Eduardo Matson Ospino, prestada perante agente
dotado de fé pública (affidavit), em 5 de novembro de 2011 (expediente de prova, fl. 35.717).
162 Cf. Declaração de Yolanda Santodomingo Albericci, de 1° de agosto de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fls.
1.22 e 1.023); Declaração de Yolanda Santodomingo Albericci prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no
presente caso; Declaração de Eduardo Arturo Ospino, de 10 de abril de 2006, perante Promotoria (expediente de prova, fl. 1.215);
Declaração prestada por Eduardo Matson Ospino, em 5 de novembro de 2011, perante agente dotado de fé pública (affidavit),
(expediente de prova, fl. 35.717); e Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fl. 180).
163
Cf. Declaração de Eduardo Matson Ospino, de 10 de abril de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.215); e
Declaração prestada por Eduardo Matson Ospino, em 5 de novembro de 2011, perante agente dotado de fé pública (affidavit),
(expediente de prova, fl. 35.718).
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