as mãos, com parafina muito quente (par. 139 supra); (v) depois foram transferidos ao Batalhão Charry Solano, sendo hostilizados e ameaçados durante o percurso653; (v) ao chegar ao Batalhão Charry Solano, foram vendados e colocaram um gás ou fumaça “como eucalipto” no caminhão que lhes deu a sensação de asfixia e fizeram os rodopiar para deixá-los desorientados; (vi) quando desceram, foram separados, fizeram Eduardo Matson Ospino carregar “um pedaço de madeira muito grosso e pesado” e os levaram, pelo o que ambos escutaram, a um córrego ou riacho, onde foram ameaçados de serem jogados, e (vii) por fim, no Batalhão Charry Solano, foram colocados em quartos diferentes, sendo algemados à cama, e novamente foram submetidos a interrogatórios e agressões físicas e psicológicas, tais como ameaças de morte654. 423. Ademais, a Corte recorda que considerou comprovado que Orlando Quijano e José Vicente Rubiano foram submetidos a uma série de maus-tratos por parte das autoridades estatais. Especificamente, concluiu que Orlando Quijano foi levado ao segundo andar da Casa del Florero, obrigado a permanecer de pé e com as mãos na nuca por várias horas, submetido a múltiplos interrogatórios, nos quais era pressionado para que “confessasse” supostas ligações com o M-19, depois foi transferido a uma instalação militar, onde novamente foi mantido por várias horas e novamente interrogado (par. 395 supra). Com respeito a José Vicente Rubiano Galvis, este Tribunal concluiu que foi detido por autoridades militares, levado a duas instalações militares diferentes (em Zipaquirá e em Bogotá), onde foi submetido a golpes e choques elétricos no estômago e nos testículos, enquanto era interrogado na tentativa que “confessasse” supostas ligações com o M-19, em seguida foi preso em uma cavalariça até o dia seguinte (par. 395 supra). de prova, fls. 30.785 e 30.787); Declaração de Eduardo Matson Ospino, em 5 de novembro de 2013, perante agente dotado de fé pública (affidavit) (expediente de prova, fl. 35.717); Declaração de Yolanda Santodomingo, de 1° de agosto de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fls. 1.016 a 1.018); Declaração de Yolanda Santodomingo, de 2 de dezembro de 1985, perante a Procuradoria (expediente de prova, fls. 14.552 e 14.553); declaração de Yolanda Santodomingo, de 7 de fevereiro de 1986, perante o 41° Juizado de Instrução Criminal de Bogotá (expediente de prova, fls. 14.969 a 14.973); e Declaração de Yolanda Santodomingo Albericci, prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso. 653 Sobre a transferência ao Batalhão Charry Solano, Yolanda Santodomingo Albericci assinalou que: “ fizeram Eduardo deitar em um banco e eu no chão do caminhão, colocaram minhas mãos para trás, e me algemaram, não sei se fizeram o mesmo com Eduardo, sei que ele começou a chorar e eu comecei a brigar para que a pessoa que estava atrás de mim não cortasse meu cabelo. Não sei quanto tempo passou e levaram Eduardo [...] me falaram que o haviam levado porque iam matá-lo e novamente voltaram a fazer as mesmas perguntas e o mesmo interrogatório da Casa del Florero”. Cf. Declaração de Yolanda Santodomingo, de 1° de agosto de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.022) 654 Yolanda Santodomingo Albericci declarou que “ela desceu do caminhão vendada e com as mãos algemadas. Indicou que durante o trajeto falavam-lhe que iam matá-la e jogá-la no riacho. Posteriormente, a colocaram em um quarto, a deitaram e algemaram cada uma de suas mãos nos extremos opostos da cama. Relatou que nesse momento, começou novamente o interrogatório e uma das pessoas que estavam interrogando-a disse “Eduardo já confessou, não adianta mais, já disse a verdade” e depois disseram que já haviam matado Eduardo. Cf. Declaração de Yolanda Santodomingo, de 1° de agosto de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.022). Igualmente, na audiência sobre o mérito perante esta Corte, Yolanda Santodomingo Albericci declarou que: “depois de fazerem comigo o que quisessem, me pegaram, me levaram e me colocaram em um quarto. Ao passar para o quarto, dava para escutar um riacho, pois corria água, disseram que quando me matassem, iam atirar-me desnuda ali, escutava gritos, disse que se eu não colaborasse, isso aconteceria comigo, essa pessoa era porque não colaborou, me jogaram em um quarto, me algemaram a uma cama [...] falaram que Eduardo estava morto e que eu deveria me render, e que eu havia participado da tomada da Embaixada [...] depois de uma hora, alguém entrou e disse, Yolanda, vamos soltá-la , lembra que estava retida e não estava detida, amanhã vão para o Cantão Norte [...]. Tiraram-nos dali e nos colocaram em um jipe [...] e fomos levados à decima”. Cf. Declaração de Yolanda Santodomingo, prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso. Eduardo Matson Ospino indicou que ele estava vendado quando foi retirado do caminhão, foi algemado e obrigado a carregar um pedaço de madeira de aproximadamente um metro. Indicou que ele pensava que iam empurrá-lo em um precipício. Depois foi levado a um quarto, foi algemado a uma cama e colocado sentado. Cf. Declaração de Eduardo Matson Ospino, de 10 de abril de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.215); e Declaração prestada por Eduardo Matson Ospino, em 5 de novembro de 2013, perante agente dotado de fé pública (affidavit) (expediente de prova, fl. 35.717). Ver também, sentença do 3 ° Juizado Penal do Circuito Especializado de Bogotá, de 9 de julho de 2010 (expediente de prova, fl. 23.955); Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fls. 179 e 180), e Documentário intitulado La Toma, dirigido por Angus Gibson e Miguel Salazar, 2011 (expediente de prova, fl. 3.552).

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