local dos fatos e na legislação internacional, decidiu acolher parcialmente a queixa e resolveu
que o Ministro de Energia e Minas e Presidente da Diretoria da PETROECUADOR e o procurador e
representante legal da empresa CGC haviam violado, de forma plena, entre outros, os artigos
84.5 e 88 da Constituição Política do Equador, a Convenção no 169 da OIT e o Princípio 10 da
Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Além disso, responsabilizou, por
essas violações, o Ministro de Energia e Minas e Presidente da Diretoria da PETROECUADOR, bem
como o procurador e representante legal da CGC.116
104. Com relação aos danos ao território Sarayaku, alegou-se, sem que fosse questionado
pelo Estado, que em julho de 2003 a CGC destruiu, pelo menos, um sítio de especial importância
na vida espiritual dos membros do Povo Sarayaku, no terreno do Yachak Cesar Vargas.117 Os
fatos foram registrados pelo Primeiro Cartório de Puyo nos seguintes termos:
[…] no local denominado PINGULLU havia sido derrubada uma árvore de
aproximadamente 20 metros de altura por um metro de espessura, cujo nome é
LISPUNGU. […] Ao cair da noite […], entrevistamos o ancião Shaman Cesar Vargas […]
que declarou […]: que empregados de uma companhia petrolífera haviam entrado na sua
mata sagrada, em PINGULLU, e destruído todas as árvores ali existentes, em especial a
grande árvore do Lispungu, o que o deixou sem forças para obter seu remédio para curar
as doenças de seus filhos e familiares […].
105. Do mesmo modo, o Estado não questionou se a empresa abriu trilhas sísmicas,118
habilitou sete heliportos119, destruiu covas, fontes de água e rios subterrâneos, necessários para
o consumo de água da comunidade;120 e cortou árvores e plantas de grande valor para o meio
ambiente, a cultura e a subsistência alimentar dos Sarayaku.121 Tampouco questionou que a
entrada de helicópteros tivesse destruído parte da denominada Montanha Wichu kachi, ou
“saladero de loras”, local de grande valor para a cosmovisão do Povo Sarayaku.122 Os trabalhos
da petrolífera provocaram a suspensão, em alguns períodos, de atos e cerimônias ancestrais
culturais do Povo, tais como a Uyantsa, sua festividade mais
Cf. Resolução da Defensoria Publica da Província de Pastaza, de 10 de abril de 2003 (expediente de prova,
tomo 8, folhas 4.831 e ss.).
116
Cf. Primeiro Cartório do Cantão de Pastaza, doutor Andrés Chacha Gualoto, Ata de Constatação Notarial de
20 de julho de 2003 (expediente de prova, tomo 9, folha 5.225).
117
Cf. Mapas apresentados como anexos do escrito de petições e argumentos (expediente de prova, tomo 12,
folha 7.297; e Anexo 124, documento em formato eletrônico).
118
Cf. Depoimento prestado perante notário público, por Gloria Berta Gualinga Vargas, em 27 de junho de
2011 (expediente de prova, tomo 19, folha 10.037). Ver também Relatório da Visita Realizada à Comunidade dos
Sarayaku para Atender à Denúncia da OPIP […] contra a Companhia Geral de Combustíveis, Comissão de Direitos
Humanos, Congresso Nacional da República do Equador, 8 de maio de 2003 (expediente de prova, tomo 10, folha
6.155); Boletim de Imprensa da Associação Kichwa de Sarayaku, de 17 de janeiro de 2003, expediente de prova,
tomo 10, folha 6.396; Relatório do Ministério de Energia e Minas do Equador, de 7 de março de 2006, escrito de
petições e argumentos, Anexo 48, tomo 10,folha. 6.398; “Autoavaliação Comunitária dos Impactos Sofridos pelo
Povo Kichwa de Sarayaku em Virtude da Entrada da Petrolífera CGC em seu Território” (expediente de prova, tomo 11,
folha 6.588).
119
Cf. Roberto Narváez, Estudo Social “Danos à Qualidade de Vida, à Segurança e à Soberania Alimentar em
Sarayaku”, Quito, 2010 (expediente de prova, tomo 11, folha 6.757).
120
Cf. Roberto Narváez, Estudo Social “Danos à Qualidade de Vida, à Segurança e à Soberania Alimentar em
Sarayaku”, folha 6.759. Ver também perícia apresentada pelo antropólogo Rodrigo Villagra, perante a Corte, durante
a audiência pública realizada em 7 de julho de 2011; depoimento prestado por don Sabino Gualinga, perante a Corte,
durante a audiência pública realizada em 6 de julho de 2011; depoimento prestado por Marlon René Santi Gualinga,
perante a Corte, durante a audiência pública realizada em 6 de julho de 2011.
121
Em especial, César Santi declarou que ‘‘[a] companhia, há dois meses, passou por aqui com a linha sísmica
e, agora, já não há nem pássaros, foi-se o dono, o Amazanga, porque quando o dono vai-se, todos os animais vão-se.
[…] Como se evitou que os helicópteros continuassem vindo, se deixarmos um bom tempo tranquilo talvez os
animais voltem”. FLACSO, “Sarayacu: el Pueblo del Cénit”, folha 6721.
122
- 31 -