73
De maneira específica, a Observação Geral nº 12, de 2009, do Comitê dos Direitos da
Criança das Nações Unidas, ressaltou a relação entre o “interesse superior da criança” e o
direito a ser escutado, ao afirmar que “não é possível uma aplicação correta do artigo 3
[(interesse superior da criança)] se não se respeitam os componentes do artigo 12. Do
mesmo modo, o artigo 3 reforça a funcionalidade do artigo 12 ao facilitar o papel essencial
das crianças em todas as decisões que afetem sua vida”. 370
229. De modo similar, o artigo 7 da CDPD estabelece expressamente que “as crianças
com deficiência t[êm] o direito de expressar livremente sua opinião sobre todos os assuntos
que lhes disserem respeito, tenham a sua opinião devidamente valorizada de acordo com
sua idade e maturidade, em igualdade de oportunidades com as demais crianças, e recebam
atendimento adequado à sua deficiência e idade, para que possam exercer tal direito” (par.
136 supra). De maneira que “é fundamental que as crianças portadoras de deficiência
sejam escutadas em todos os procedimentos que as afetem e que suas opiniões sejam
respeitadas de acordo com sua capacidade em evolução”. 371 Ademais, o artigo 13 da CDPD
indica que se deve “facilitar o efetivo papel das pessoas com deficiência como participantes
diretos ou indiretos, inclusive como testemunhas, em todos os procedimentos jurídicos”.
230. Além disso, a Corte reitera que as crianças exercem seus direitos de maneira
progressiva à medida em que desenvolvem um maior nível de autonomia pessoal. 372 Em
consequência, o aplicador do direito, seja no âmbito administrativo ou judicial, deverá levar
em consideração as condições específicas do menor de idade e seu interesse superior para
acordar a sua participação, segundo corresponda, na determinação de seus direitos. Nesta
ponderação, será buscado o maior acesso do menor de idade, na medida do possível, ao
exame de seu próprio caso. 373 Igualmente, o Tribunal recorda que o Comitê dos Direitos da
Criança indicou que o artigo 12 da Convenção sobre os Direitos da Criança não apenas
estabelece o direito de cada criança de expressar sua opinião livremente em todos os
assuntos que a afetam, mas o artigo inclui também o consequente direito de que essas
opiniões sejam levadas devidamente em conta, em função da idade e maturidade da
criança. 374 Não basta escutar a criança, as opiniões da criança têm de ser tomadas em
consideração seriamente, reconhecendo que que a criança é capaz de formar um juízo
próprio, o que requer que suas opiniões sejam avaliadas mediante o exame caso a caso. 375
Não é demais enfatizar que estes padrões são igualmente aplicáveis às crianças com
deficiência.
231.
A este respeito, o perito Moreno manifestou que: “o nível de contato, de imediação,
par. 32. Em particular, o UNICEF indicou que “‘todo procedimento […] judicial que afete a criança cobre um
espectro muito amplo de audiências em tribunais, incluindo todos os procedimentos civis, tais como os
procedimentos de divórcio, custódia, cuidado e adoção, mudança de nome, pedidos judiciais a respeito do lugar de
residência, religião, educação, disponibilidade de dinheiro, etc., decisões judiciais sobre nacionalidade, imigração e
estado de refugiado, e procedimentos penais; também inclui a participação de Estados perante tribunais
internacionais”. Tradução da Secretaria da Corte Interamericana. Unicef, Manual de Aplicação da Convenção sobre
os Direitos da Criança (Terceira edição inteiramente revisada) 2007, p. 156.
370
74.
Caso Atala Riffo e crianças Vs. Chile, par. 197. Comitê de Direitos da Criança, Observação Geral nº 12, par.
371
Comitê dos Direitos da Criança, Observação Geral nº 9, par. 32
372
Cf. Comitê dos Direitos da Criança, Observação Geral nº 7, par. 17.
373
Caso Atala Riffo e crianças Vs. Chile, par. 199, e Parecer Consultivo OC-17/02, par. 102
374
Caso Atala Riffo e crianças Vs. Chile, par. 200, e Comitê dos Direitos da Criança, Observação Geral nº 12,
par. 15.
375
Caso Atala Riffo e crianças Vs. Chile, par. 200, e Comitê dos Direitos da Criança, Observação Geral nº 12,
pars. 28 e 29.
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