(iv)
Mortalidade infantil: no período 2018-2022, foram registradas 505
mortes de crianças menores de um ano de idade, ao passo que, em
2022, foram registradas 209 mortes de janeiro a setembro. Segundo o
relatório, os dados de mortalidade de 2022 mostram 99 mortes de
crianças menores de cinco anos por causas evitáveis.
(v) Casos de malária: nos últimos quatro anos, o número de casos de
malária no DSEI-YY aumentou de 9.928 em 2018 para 20.393 em 2022,
um aumento de mais de 105%.
(vi) Superpopulação: a CASAI de Boa Vista está superlotada – sua
capacidade gira em torno de 200 pessoas e atualmente recebe mais de
700 (com 150 pacientes em alta, mas sem a logística para regressar a
seus territórios).
(vii) Fome e desnutrição: a fome é evidente e mencionada muitas vezes pela
população – dados desde 2015 mostram uma frequência de baixo peso
que aumentou de 49,3% para 56,5% de crianças em 2021 e o relatório
salienta que o programa de controle da desnutrição infantil estruturado
pelo DSEI-YY em 2021 mostrou pouca efetividade.
75.
Em março de 2023, o Estado enumerou algumas das principais ações que vem
implementando desde o início de 2023.
(i)
Restauração do orçamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas
(FUNAI) para valores próximos a 2015 e em patamar 24% acima do
orçamento de 2022.
(ii) Revogação de normas aprovadas na gestão anterior, tais como: (a)
Instrução Normativa 12/2022, da FUNAI e do IBAMA, que facilitava a
exploração de madeira em terras indígenas; (b) Decretos nº
10.142/2019 e nº 10.239/2019 que fragilizaram o Plano de Ação para
Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM);
(c) Decreto nº 6.514/2008, que abordou pontos polêmicos do
procedimento administrativo federal para investigação de infrações
ambientais; (d) Decreto nº 10.966/2022, que instituiu o Programa de
Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e de Pequena Escala.
(iii) Início do processo de revisão para revogação do Parecer AGU 01/2017
e planejamento para realização da demarcação territorial.
(iv) Iniciativa para a ratificação de pelo menos 14 Terras Indígenas e
emissão da Portaria Declaratória para mais 25 territórios.
(v) Constituição do Comitê Nacional para Enfrentamento à Desassistência
Sanitária das Populações em Território Yanomami (Decreto 11.384, de
20 de janeiro de 2023) e de dois “Gabinetes da Crise” sobre a situação
dos Pataxós (Portaria GM/MPI 02, de 18 de janeiro).
(vi) Decreto 11.405, de 30 de janeiro de 2023, seguido da Portaria 710, do
Ministério da Defesa, de 3 de fevereiro, com o objetivo de mobilizar
forças, fechar o espaço aéreo, autorizar a apreensão de equipamentos,
entre outros, para combater e expulsar garimpeiros da Terra Indígena
Yanomami.
(vii) Reativação do Conselho Nacional de Política Indígena (CNPI), órgão
consultivo dos diferentes povos indígenas do Brasil, responsável pela
elaboração, monitoramento e implementação de políticas públicas
voltadas para os Povos Indígenas.
(viii) Reativação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das
Terras Indígenas (PNGATI).
(ix) Reativação do Fundo Amazônia como importante instrumento de
financiamento de ações para garantir a preservação ambiental e os
direitos dos povos indígenas.
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