Etnoambiental para o rio Uraricoera, que afirmam ser fundamental para controlar o
fluxo de invasores no rio mais pressionado da Terra Indígena Yanomami.
63.
De acordo com os representantes, em 13 de novembro de 2023, a Associação
Urihi Yanomami denunciou um sobrevoo não autorizado na cabeceira do rio Apiaú,
uma das áreas afetadas pela mineração ilegal e onde vive uma comunidade de
indígenas Yanomami em isolamento voluntário, os Moxihatëtëma. 17 Segundo os
representantes, o sobrevoo mostra que o Estado ainda não detém o controle do
espaço aéreo na Terra Indígena Yanomami e que os garimpeiros ainda operam
livremente nessas regiões. Os representantes ressaltaram que a Hutukara Associação
Yanomami já recebeu várias denúncias e informou o Estado sobre pelo menos dois
episódios de conflito entre garimpeiros e os Moxihatëtëma. Além disso, os
representantes declararam que não há informações sobre o funcionamento da BAPE
Serra da Estrutura, que serviria para proteger o grupo isolado Moxihatëtëma.
Segundo afirmam, apesar de estar ativa, a BAPE não estaria funcionando com vistas
a reprimir o garimpo na região.
64.
A esse respeito, em dezembro de 2023, O Estado esclareceu que
imediatamente após a divulgação da notícia do sobrevoo ilegal sobre a comunidade
em isolamento voluntário, Moxihatëtëma, o Ministério dos Povos Indígenas adotou
uma série de medidas para a proteção dos membros dessa comunidade. Salientou
que, em 13 de novembro de 2023, foi decidida a intervenção urgente da Polícia
Federal e do Ministério da Defesa nas zonas de garimpo localizadas nos arredores da
região sobrevoada ilegalmente. Do mesmo modo, o Estado observou que a
Coordenação-Geral dos Povos Indígenas Isolados e Recentemente Contatados da
FUNAI também supervisiona o tema e adotou as medidas necessárias. Afirmou que,
em 25 de novembro de 2023, o IBAMA realizou operações em áreas de mineração
ilegal próximas às malocas dos povos isolados. Com base nos dados da FUNAI, o
Estado ressaltou que os desafios encontrados na sua capacidade de resposta rápida
nessa questão são: (i) dificuldades no apoio logístico; (ii) redução da autonomia de
voo das aeronaves do IBAMA; (iii) impossibilidade de rastrear e tomar medidas
imediatas em todos os pontos de atividade de mineração ilegal detectadas. 18
65.
Além disso, o Estado informou que já existe um plano de contingência para
uma possível emergência por contato forçado entre garimpeiros e a comunidade
Moxihatëtëma. Salientou que o plano prevê a mitigação dos impactos que o contato
com Povos Indígenas Isolados (PII) pode causar e busca estabelecer respostas
rápidas às situações de rompimento do isolamento mediante a definição de
responsabilidades institucionais, além de preparar equipes de referência para futuras
situações de contato. Sustentou que o plano proporciona orientação para uma
intervenção sanitária adequada e oportuna em situações identificadas como contato
iminente e ruptura do isolamento causadas por fatores externos que ameaçam a
integridade física e a cultura das pessoas isoladas na Terra Indígena Yanomami.
66.
Quanto à questão do controle do espaço aéreo, os representantes
informaram, em novembro de 2023, que esse controle tem sido realizado de maneira
ineficaz. Informaram também que a Operação “Escudo Yanomami” só conseguiu
manter a restrição total dos voos por seis dias, devido à pressão de parlamentares
17
Segundo a Associação Urihi Yanomami, o sobrevoo foi documentado em um vídeo filmado pelos
invasores ilegais, na região habitada por indígenas isolados, com a seguinte frase: “índios canibais em
Roraima”. O vídeo pode ser encontrado no link: https://vm.tiktok.com/ZMj3Hu5R5/.
18
Quanto à proteção territorial, o Estado destacou que em um voo efetuado em 27 de novembro
de 2023 foi detectada a existência de atividades de mineração ilegal nas proximidades da Base da Serra
da Estrutura. Afirmou que a descoberta de novos sítios de mineração na região próxima a povos indígenas
isolados levou a uma reavaliação das estratégias da Operação Retirada. Nesse sentido, informou que, após
uma análise crítica dos resultados obtidos em 2023, a FUNAI trabalha para estabelecer uma nova
estratégia de ação de proteção territorial, buscando meios logísticos adequados e recursos humanos
suficientes para a execução das tarefas.
- 18 -