18
sofrem procedimentos de contenção dessa forma, o que constitui um tratamento cruel e
desumano.
As pessoas que têm problemas similares ao do senhor Damião Ximenes Lopes podem,
atualmente, dependendo dos cuidados que recebam, ter acesso à convivência com outras
pessoas, à moradia, à alimentação e podem viver por muito tempo. Não é a deficiência mental
que dificulta sua convivência, mas as condições de vida da pessoa, como ocorre com todos os
seres humanos de modo geral.
Pode-se concluir que o senhor Damião Ximenes Lopes teve uma morte violenta causada por
agentes externos, pelas lesões traumáticas que tinha no corpo. Hoje, está a disposição dos
médicos o Protocolo de Istambul que orienta sobre como caracterizar lesões que se encontram
nos corpos de pessoas com mortes suspeitas. As lesões encontradas no corpo do senhor Damião
Ximenes Lopes são lesões consideradas pelo Protocolo de Istambul como lesões típicas de
traumas que são costumeiramente vistos em corpos de pessoas que foram torturadas. Segundo a
avaliação dos legistas da cidade de Fortaleza, depois da insistência do promotor do caso, a morte
do senhor Damião Ximenes Lopes foi causada por lesões traumáticas, que poderiam ser definidas,
segunda a perita, como socos, pedradas ou pontapés. A necropsia realizada pelo Instituto Médico
Legal indicava que o corpo apresentava equimoses, escoriações e hematomas, as quais são
lesões sugestivas de traumatismo no corpo, e que foram posteriormente, esclarecidas como
causadas por objetos contundentes.
C) VALORAÇÃO DA PROVA
Valoração da prova documental
48.
A Corte admite neste caso, como em outros,8 o valor probatório dos documentos
apresentados pelas partes em sua devida oportunidade processual ou como prova para melhor
resolver, que não tenham sido questionados ou objetados, nem cuja autenticidade tenha sido
posta em dúvida.
49.
A Corte acrescenta ao acervo probatório, em conformidade com o artigo 45.1 do
Regulamento e por julgá-los úteis para a solução deste caso, os documentos apresentados pelos
representantes,9 pelo Estado10 e pela testemunha João Alfredo Teles Melo,11 no decorrer da
audiência pública realizada em 30 de novembro e 1º de dezembro de 2005, documentos que
conheceram todas as partes presentes à referida audiência, bem como os documentos anexados
8
Cf. Caso Baldeón García, nota 4 supra, par. 65; Caso Comunidade Indígena Sawhoyamaxa, nota 4 supra, par.
36; e Caso Acevedo Jaramillo e outros, nota 4 supra, par. 189.
9
A saber: cópia da "Recomendação de Aditamento da Denúncia", de 27 de março de 2001; ofício nº 155/05 JG/RJ,
dirigido pela Justiça Global ao Coordenador do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde, de 18 de novembro de
2005; ofício nº 154/05 JG/RJ, dirigido pela Justiça Global ao Vice-Presidente do Conselho Federal de Psicologia, de 18 de
novembro de 2005; ofício nº 08/2000, Recomendação do Centro de Apoio Operacional dos Grupos Socialmente
Discriminados da Procuradoria-Geral da Justiça ao responsável pela administração da Casa de Repouso Guararapes, de 25
de maio de 2000; e termo aditivo nº 013/99 ao contrato nº 053007/98, celebrado entre o Município de Sobral e a Casa de
Repouso Guararapes, de 26 de dezembro de 1999.
A saber: folheto intitulado “Como encaminhar demandas de saúde mental em Sobral. Orientações ao Programa
Saúde da Família”, SOBRAL - Secretaria de Desenvolvimento Social e Saúde; e folheto intitulado “CAPS - Centro de
Atenção Psicossocial Damião Ximenes Lopes”, SOBRAL, Secretaria de Saúde e Ação Social.
10
11
A saber: livro intitulado “Relatório da cidadania, Atividades da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da
Assembléia Legislativa do Ceará - Ano 1999”.