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2.
Testemunhas propostas pelos representantes
a)
João Alfredo Teles Melo, na época dos fatos era deputado da Assembléia
Legislativa do estado do Ceará, onde presidia a Comissão de Direitos Humanos e
Cidadania. Atualmente é deputado federal.
A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania funciona como um balcão onde a população pode
apresentar demandas, queixas e reclamações e, em seguida, a Comissão faz o encaminhamento
das mesmas aos órgãos responsáveis. Ela tem a função de acompanhar o seguimento das
queixas, seja cobrando providências ou realizando audiências públicas em matéria de direitos
humanos. No caso do senhor Damião Ximenes Lopes, convidou-se a sua irmã e sua mãe e outros
pacientes que estiveram na Casa de Repouso Guararapes para prestarem depoimento, foram
dirigidos ofícios e aprovadas moções que foram dirigidas a distintas autoridades solicitando a
adoção de medidas, tanto no âmbito administrativo e disciplinar -para o Conselho de Medicina,
para a Prefeitura de Sobral, através da Secretaria de Saúde, para a Secretaria de Saúde do
Estado-, como também para autoridades policiais e judiciais.
Na visita que realizou à Casa de Repouso Guararapes, a mesma se encontrava em péssimas
condições de higiene, os pacientes estavam em más condições, sem um responsável da área
médica ou administrativa presente. O Estado no fiscalizou a adequadamente a Casa de Repouso
Guararapes.
A demora de mais de cinco anos no processo que investiga a morte do senhor Damião Ximenes
Lopes mostra que a justiça brasileira é lenta e parcial. A pressão do poder político e econômico
influencia muito a justiça. Muita vezes há cumplicidade entre esses poderes, eles são muito fortes
e podem determinar ou não um julgamento.
No caso do senhor Damião Ximenes Lopes, recebeu relatórios sobre as apurações realizadas pelo
Conselho Regional de Medicina, entre outros. No entanto, nunca se respondeu sobre a
investigação disciplinar do delegado de polícia que teria feito desaparecer provas, ou sobre o fato
de que o inquérito foi instalado apenas no dia 7 ou 8 de novembro de 1999 quando o óbito se deu
em 4 de outubro de 1999. O Ministério Público demorou três anos para aditar a denúncia. Houve
uma demora injustificada. A testemunha considera um absurdo que um caso que teve tanta
repercussão e que contém a quantidade de provas como no do senhor Damião Ximenes Lopes,
possa demorar tanto, e suspeita de que possa estar encaminhando-se para a impunidade, com a
prescrição do delito.
Depois da morte do senhor Damião Ximenes Lopes, houve avanços na atenção de saúde mental
em Sobral, mas ainda esta longe de se alcançar a concepção ideal de reforma psiquiátrica.
3.
Testemunhas propostas pelo Estado
a)
Luiz Odorico Monteiro de Andrade, na época da morte do senhor
Damião Ximenes Lopes era Secretário do Desenvolvimento Social e Saúde do
Município de Sobral. Atualmente é Secretário Municipal de Saúde de
Fortaleza.
O hospital no qual morreu o senhor Damião Ximenes Lopes já havia sofrido várias admoestações
e se estava criando um sistema de saúde mental com o objetivo de desativar o hospital. No
entanto, devido ao fato de ser um hospital com caráter regional era difícil fechá-lo imediatamente
em função de sua importância para a região. Assim que tomaram conhecimento da morte do
Damião Ximenes Lopes, criou-se uma comissão de inquérito, a qual registrou uma série de
problemas do hospital e em seguida foi realizada uma intervenção para ter controle dos pacientes