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Durante dez anos foi paciente de instituições psiquiátricas e atualmente é diretor do Instituto
Franco Basaglia e membro do “Movimento Antimanicomial”. Tem ainda fortes lembranças dos
quartos de hospitais em que esteve internado e dos eletro-choques que recebeu. Sua reabilitação
ocorreu fora dos hospitais.
Causou-lhe grande tristeza a degradante e humilhante morte do senhor Damião Ximenes Lopes.
Sua morte se circunscreve na cultura de mortificação existente com relação às pessoas que
padecem de doenças mentais. Existe una crença de que não se pode curar a doença mental, o
que é conseqüência da segregação, clausura, violência e ausência de vínculos sociais a que são
submetidas aquelas pessoas.
A atenção de saúde mental no Estado mudou muito com implementação dos serviços
substitutivos do modelo do hospital psiquiátrico.
No atual modelo existe participação
multidisciplinar de profissionais como psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
Entretanto, a hegemonia do modelo manicomial centrado nos hospitais ainda permanece. Esse
modelo continua matando, escravizando e evitando para sempre, às pessoas que necessitam de
atenção de saúde mental, a participação no seu próprio tratamento, sem possibilidade de
reabilitar-se.
2.
Declarações propostas pelo Estado:
a)
José Jackson Coelho Sampaio, médico psiquiatra
Desde o ano 1962 até o ano 1991 a assistência psiquiátrica se dava mediante a internação em
hospitais privados, método iniciado durante a ditadura militar. No estado do Ceará havia seis
hospitais privados, todos associados às administração pública, inclusive a Casa de Repouso
Guararapes, em Sobral. Houve um movimento de reforma psiquiátrica que resultou na criação
dos Centros de Atenção Psicossocial (doravante denominado “Centro de Atenção Psicossocial”
ou “CAPS”) na cidade de Iguatu e a emissão da Lei "Mário Mamede". Entre os anos 1991 e 1998,
foram criados vários outros Centros de Atenção Psicossocial e entre os anos 1999 e 2000, esse
modelo de atenção foi ampliado. Entre os anos 2001 e 2005 o estado do Ceará impulsionou o
crescimento da rede de Centros de Atenção Psicossocial e incluiu a cidade de Sobral.
A Casa de Repouso Guararapes atendia uma região de quase um milhão de habitantes, mas esse
hospital tinha apenas cento e dez leitos de internação. A assistência ambulatorial era precária.
A atenção de saúde mental mudou muito depois que a Casa de Repouso Guararapes foi fechada
em julho de 2001. Essa data marca o processo de transição de um modelo de assistência
enfocado na atenção médico-hospitalar e de manicômios, para uma abordagem descentralizada,
regionalizada, com novos equipamentos e que propunha a reabilitação e reintegração social das
pessoas com doenças mentais.