-46- Em 10 de maio de 1992, Dia das Mães, a testemunha não sabia nada sobre os filhos, e começou a procurá-los no necrotério. Já do lado de dentro “vi[u] as moças atiradas no chão, nuas e costuradas”, havia corpos em cima de outros, e nas mesas estavam fazendo necropsia em outros corpos. Para procurar a filha e o filho levantou e empurrou os corpos, mas não os encontrou. Foi à Cruz Vermelha Internacional, mas não sabiam nada. Aproximadamente às 17h00, foi ao Hospital da Polícia, onde uma pessoa lhe disse “senhora, sua filha está morta, […] está no necrotério, mas agora vá ao hospital do Carrion, onde está seu filho, acabam de levá-lo, e se você não o tirar hoje, o matam”. A testemunha foi a esse hospital que ficava muito longe, mas não lhe permitiram entrar porque havia terminado a visita. No entanto, conseguiu entrar pulando um muro. Procurou o necrotério, no qual não havia nenhum morto, mas escutou um gemido que vinha detrás da porta. Abriu a porta e era seu filho que estava ��em uma mesa de metal” com um lençol amarrado, tinha cinco ferimentos e muita febre. Quando encontrou o filho entrou no quarto um militar, que a tratou mal. Ela lhe disse que se vinha para matar seu filho “ter[ia] de matá-[la] primeiro”. Nesse momento entrou um médico que perguntou o motivo pelo qual o filho da testemunha se encontrava no necrotério se estava vivo. O militar se foi. Levaram seu filho ao Hospital da Polícia. No dia 11 de maio de 1992, voltou ao Hospital da Polícia, mas não a deixaram entrar. O médico lhe disse que seu filho estava muito mal e poderia morrer. Foi novamente ao necrotério, mas não encontrou a filha. No dia 12 de maio de 1992, foi à Direção Nacional de Investigação Criminal e Apoio à Justiça (DIRINCRI) porque lhe disseram que ali havia uma lista de todos os mortos. Perguntaram-lhe o nome da filha e lhe disseram que não estava na lista. Voltou ao necrotério, onde estavam outras mães que também procuravam os filhos. Funcionários da DINCOTE não as deixavam entrar, mas num descuido de um deles a testemunha conseguiu entrar e correu até onde se encontravam as geladeiras. Conseguiu abrir uma geladeira, e o cadáver da filha lhe “ca[iu] em cima”. A testemunha declarou que “isso não v[ai] esquecer nunca” e descreveu o que foi esse momento. No chão havia três bolsas bem fechadas, e a testemunha as abriu. Em uma delas estava o corpo esquartejado de Fernando Orozco. Era o filho de uma das senhoras que estava ali. Na outra bolsa havia uma pessoa carbonizada, e na outra um pedaço de carvão. A filha da testemunha não tinha parte do cabelo e apresentava sinais de que havia sido arrastada e espancada. O médico do necrotério a ajudou com uma caixa para tirar o corpo da filha do necrotério. A testemunha enviou o corpo para casa com um familiar, enquanto voltava ao hospital para ver o filho. Informou que desconhecia que houvesse um processo instaurado no Peru sobre os fatos deste caso. Solicitou à Corte Interamericana que faça justiça e que se punam os responsáveis pelos fatos. b) Propostos pela interveniente comum 3. Luis Ángel Pérez Zapata, suposta vítima Mostrou um mapa do Presídio Miguel Castro Castro, referindo-se à sua estrutura, ao lugar de localização dos pavilhões 1A e 4B e a alguns lugares citados nos depoimentos. Salientou que o presídio tinha uma parede de seis a oito metros de altura, era de tijolo e cimento. A área interna do presídio é conhecida como “terra de ninguém”. Na área conhecida como “rotunda”, que é a parte central do presídio, há uns subterrâneos por onde se comunicavam os pavilhões. Devido à superlotação que havia no pavilhão 4B, alguns internos conseguiam autorização para dormir no pavilhão 1A. No pavilhão 4B havia mais de 400 pessoas, quando

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