-31Sobre as manifestações da Operação Condor no Paraguai25 61.9 No caso paraguaio, o Departamento de Inteligência Militar esteve sob responsabilidade da coordenação operativa da Operação Condor, cujo responsável era o então coronel Benito Guanes Serrano. Os serviços policiais de inteligência apoiavam as ordens recebidas deste departamento, ficando a função operativa a cargo do Chefe de Investigações da Polícia, Pastor Milciades Coronel. O Departamento de Investigações era o “centro nervoso da inteligência política”. A coleta de dados era realizada por funcionários policiais infiltrados em organizações políticas, sociais, sindicais, centros estudantis e todo tipo de organismos públicos ou privados. 61.10 Sobre os passos a seguir, ao deter um suposto “elemento subversivo”, o Chefe do Departamento de Investigações, Pastor Milciades Coronel, manifestou que havia três caminhos: 1) Aplicação da Lei, 2) Desaparecimento Físico e 3) a Alternativa Aplicada. 61.11 Na metade da década de setenta, iniciou-se um processo repressivo sumamente duro, por um período de três anos. Posteriormente, em abril de 1976, a polícia revelou a existência de um suposto movimento político-militar subversivo e clandestino, chamado “Organização Política Militar” (O.P.M.), operando em Asunción e em alguns pontos do interior. A partir daquele momento, “se desencadearia a mais ampla operação policial antisubversiva documentada”. Em poucos meses, milhares de pessoas foram privadas de sua liberdade para “averiguações” sobre sua vinculação com a O.P.M. 61.12 A respeito dos desaparecimentos ocorridos no marco da Operação Condor, as forças armadas e policiais do Cone Sul, unidas em sua “cruzada anticomunista”, detinham cidadãos de outros países sem julgá-los, os submetiam a constrangimentos físicos, os deixavam ser interrogados por policiais de sua nacionalidade e os enviavam clandestinamente a prisões de seu país de origem, ou os “desapareciam” diretamente. Mais de meia centena de paraguaios desapareceram depois de terem sido detidos na Argentina. 61.13 Nas décadas de setenta desaparecimentos no Paraguai: e oitenta, ocorreram várias modalidades de a) as vítimas eram detidas por pessoas vestidas de civil e não voltavam a ser vistas; b) as pessoas eram detidas abertamente, depois as retiravam das prisões e penitenciárias, e elas desapareciam de todos os registros oficiais das autoridades que realizaram as detenções. As investigações sobre seu paradeiro se caracterizavam pelo silêncio, a surpresa ou a negativa oficial de que as vítimas tivessem estado alguma vez detidas, e c) cidadãos paraguaios desapareceram na Argentina durante a ditadura militar neste país. Em alguns casos, tratava-se de paraguaios que se exilaram na Argentina. Em outros, as vítimas paraguaias foram expulsas de seu país pelas autoridades paraguaias e depois desapareceram enquanto estavam na Argentina. 61.14 Os desaparecimentos forçados dos senhores Agustín Goiburú Giménez, Carlos José Mancuello Bareiro e dos irmãos Rodolfo e Benjamín Ramírez Villalba têm características 25 Os parágrafos 61.9 a 61.14 “sobre as manifestações da Operação Condor no Paraguai” correspondem a fatos que se consideram provados com base nos seguintes documentos: livros Es mi informe. Los archivos secretos de la Policía de Stroessner, nota 11 supra; livro Testimonio contra el Olvido; Reseña de la Infamia y el Terror, nota 11 supra; declaração juramentada prestada pelo perito Antonio Valenzuela Candia em 25 de maio de 2006 (expediente de declarações prestadas ou autenticadas perante agente dotado de fé pública), e relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre a Situação dos Direitos Humanos no Paraguai de 1987, nota 11 supra, Capítulo II, C e Introdução, B.

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