-27- O documento [com o selo de “SECRETO” sobre a apresentação] da delegação paraguaia no programa da VII Conferência Bilateral de Inteligência entre os Exércitos do Paraguai e da Argentina, […] expressava que: (…) Não se pode negar a necessidade de uma eficiente coordenação de atividades de inteligência, entre os Exércitos do Paraguai e da Argentina, como o melhor meio de limitar o êxito dos planos elaborados pelos grupos subversivos (…). Pese a inegável eficácia dos Organismos de Segurança de cada país, tampouco se pode negar os indúbitáveis empenhos realizados por estas forças negativas, para ampliar sua margem de possibilidades, não encontrando melhor instrumento para isso que coligar-se com forças subversivas de outros países, atravessando as fronteiras nacionais e tentando o que poderia ser um movimento continental. Circunstâncias que desde logo através de informações disponíveis, já tiveram plena confirmação sobre as conexões e apoios entre grupos subversivos de CHILE, PARAGUAI, ARGENTINA, BOLÍVIA, BRASIL, URUGUAI e outros (…)17 Ao formular um convite ao Superintendente de Segurança Federal para que visitasse Asunción, em 1976, Pastor Coronel [Chefe de Investigações da Polícia da Capital Paraguaia naquela época], expressava: […] Com referência à sua apreciada visita, cumpro em expressar-lhe a opinião de que redundaria em resultados úteis para nossas Instituições, nossos países e nossos Governos, sobretudo se tivermos em conta a natureza similar dos compromissos que assumimos, como atitude de luta diante de desafios que no Paraguai e na Argentina reconhecem igual origem e também propósitos comuns de deteriorar e destruir as Instituições em que se funda o modo nacional de vida de cada país. Nesse sentido, já não é um segredo a internacionalização da delinquência e a violência com fins políticos que aparecem estreitamente ligadas, e obriga a pensar também na internacionalização dos métodos de defesa que a Constituição e as leis põem em nossas mãos (…) 18 Uma suposta Junta Coordenadora Revolucionária (JCR) seria o organismo que reuniria os movimentos revolucionários de esquerda destes países. Segundo a apresentação paraguaia, a JCR se organizou em Paris, no fim de 1973, e mudou sua sede à Argentina em fevereiro de 1974. (…) Um documento não assinado analisava as possíveis respostas em face da associação da guerrilha esquerdista na citada “Junta”: (…) 3. CONCLUSÕES a. Estamos diante de um fato irreversível, real e em pleno funcionamento. b. Elementos guerrilheiros de quatro países já integrados, organizações interessadas e comprometidas a agir contra países de reconhecida militância antiextremista, como o caso do PARAGUAI, onde buscam inserir-se através de ressentimentos políticos e vulnerabilidades de nível social que habilmente exploram ainda sem motivo real. atualidade. Em vários extratos de Es mi Informe se faz referência a “arquivistas”, ou há referência ao espaço físico do “Arquivo do Terror” do qual se extrai o documento respectivo. 17 253. 18 Cf. Arquivo 1008 do “Arquivo do Terror”, pág. 1344, transcrito em Es mi informe, nota 11 supra, pág. Cfr documento não classificado de 28 de maio de 1976 que se encontra no Armário 1 do “Arquivo do Terror”, transcrito em Es mi informe, nota 11 supra, pág. 254.

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