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Ressaltou que a comunidade garífuna hondurenha teve que empreender uma luta para defender
suas terras, uma vez que, a partir de 1990, a ampliação do perímetro urbano das prefeituras
municipais desencadeou um processo de venda de terras a empresários, o que provocou
perseguições e violações de direitos humanos na comunidade; por exemplo: a destruição dos
cultivos e a queima de cultivos de coco, para assim forçar o abandono dessas terras, o
assassinato de 52 dirigentes indígenas e negros acusados de usurpar a terra, ordens de prisão e
processo contra companheiros, ameaças a Alfredo López Álvarez para que cessasse as ações de
defesa da terra que estava realizando como Presidente do CODETT, da Junta Diretriz da
OFRANEH e da coordenação da unidade de patronatos garífunas do setor de Tela (UPAGAT).
Acredita que as ameaças e atentados sofridos pelos membros da comunidade são parte de uma
estratégia do Estado para expulsar as comunidades de suas terras. Ela também foi vítima de
ameaças. Um guarda disparou contra
o automóvel no qual se encontrava e a feriu,
supostamente porque estava perseguindo um ladrão.
No dia da detenção do senhor Alfredo López Álvarez, foi à casa desse senhor e viu que o
automóvel tinha sido aberto e estava com os pneus furados, o depósito de ferramentas e a casa
estavam abertas, havia destroços no chão, colchões, móveis e no teto. Quando ela estava na
casa, saíam pessoas que levavam consigo alguns papéis. Depois, juntamente com a senhora
Teresa Reyes Reyes, realizaram uma busca pelo senhor Alfredo López Álvarez, a quem
encontraram horas depois detido na Promotoria. Aparentemente tinha apanhado, porque suas
mãos estavam inchadas.
b) Alfredo López Álvarez, suposta vítima
No momento de sua detenção desempenhava os cargos de coordenador do Comitê Pró Defesa
das Terras de Triunfo de la Cruz (CODETT), e tesoureiro da Confederação de Povos Indígenas e
Vice-Presidente da OFRANEH. Em 26 de abril de 1994, foi interceptado por membros da
Segurança de Tela e levado ao departamento de investigação militar para ser investigado por
posse de droga e pela problemática da terra. Mencionou que, em 27 de abril de 1997, dirigiu-se a
Tela com um mecânico, que não conseguiu consertar o veículo que utilizava para os serviços da
comunidade. Ao chegar ao povoado, quando iam descer do veículo, grupos armados cercaram o
automóvel; tiraram o mecânico e a testemunha e os jogaram no chão de boca para baixo,
colocando os pés sobre suas cabeças e costas. Os agentes do Departamento de Investigação
Criminal de Tela os algemaram, sem apresentar nenhuma ordem judicial, e os levaram aos
escritórios do DIC. Aí foi submetido a uma detalhada inspeção física, para a qual um agente
policial designou outro indivíduo que estava detido, e posteriormente foi interrogado e coagido
para reconhecer como seus dois pacotes que lhe foram apresentados. Necessitava que
“afrouxassem as correntes porque tinha os pulsos presos, estava sangrando”. Não lhe
permitiram se comunicar com nenhum advogado, nem com familiares. Prestou declaração
preliminar na presença da secretária do Juizado de Letras Seccional de Tela após 24 horas de se
encontrar detido; cinco dias depois, assinou uma procuração para o advogado Víctor Manuel
Vargas Navarro.
As condições de detenção no Centro Penitenciário de Tela eram degradantes. Em um quarto feito
para abrigar 40 pessoas, conviviam 300 presos condenados e com prisão preventiva e não
contavam com atendimento médico. Neste centro penitenciário, inicialmente, lhe foi permitido
falar em seu idioma materno, com algumas limitações, mas ao final isso foi totalmente proibido.
Em razão das denúncias contra o diretor do centro penitenciário, foi formado o Comitê de Defesa
dos Direitos dos Presos (doravante denominado “CODIN”); o senhor López Alvarez foi escolhido
Vice-Presidente desse Comitê. Por sua participação nesta organização foi
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