A.
Posição do peticionário
6. Os peticionários alegam que entre os meses de junho de 1996 e fevereiro de 1997 a população
civil do Município de Ituango, no estado de Antioquia, sofreu uma série de graves atos de
violência por parte de grupos paramilitares pertencentes às Autodefesas de Córdoba e Urabá
(AUC), naquela época lideradas por Carlos Castaño Gil. A petição indica que as AUC anunciaram
sua intenção de levar a cabo uma incursão e que estas ameaças foram devidamente informadas
às autoridades. Neste contexto, alegam que em 22 de outubro de 1997, aproximadamente, 30
homens armados e vestidos com roupas de uso militar chegaram à comunidade de Puerto
Valdivia, que conta com uma contínua presença do Exército, e dirigiram-se ao Destacamento de El
Aro cometendo graves atos de violência contra a população civil, com a aquiescência de agentes
do Estado. Durante o acontecimento, três grupos paramilitares torturaram e executaram a
membros da comunidade, destruíram e incendiaram as humildes casas que encontravam em sua
frente, impediram a entrada ou saída de qualquer habitante à comunidade e roubaram gado das
fazendas.
7. O relato dos peticionários indica que em 22 de outubro de 1997, em Puerto Valdivia, o primeiro
grupo paramilitar executou aos senhores Omar Ortiz e Fabio Antonio Zuleta Zabala, agricultores
residentes de El Puquí. Além disso, invadiram a fazenda La Planta e assassinou o senhor Arnulfo
Sánchez. Quando chegaram ao embarcadouro de Puerto Escondido, o grupo executou o senhor
Omar Iván Gutiérrez na presença de sua esposa e filhas menores e lançou ao rio a carga
pertencente aos habitantes, que se encontrava guardada no depósito de propriedade do senhor
Gutiérrez. Posteriormente, o grupo executou aos senhores Olcris Fail Díaz, José Darío Martínez e
Otoniel de Jesús Tejada. No dia 25 de outubro de 1997 mencionado grupo paramilitar chegou a
comunidade de El Aro e assassinou o proprietário de um estabelecimento, o senhor Guillermo
Andrés Mendoza Poso, o obreiro do município de Ituango, senhor Luis Modesto Múnera, e o
agricultor senhor Nelson Palacio Cárdenas.
8. Conforme alegam os peticionários, os outros dois grupos de paramilitares chegaram a El Aro
vindo do município de Briceño, onde destruíram as pontes de Palestina e Ituango. Sustentam que
estes grupos assassinaram o menor Wilmar Restrepo Torres, de treze anos de idade, e o senhor
Alberto Correa enquanto realizavam trabalhos agrícolas. Os primeiros membros do grupo ao
chegar a El Aro dirigiram-se a casa do senhor Marco Aurelio Areiza Osorio e sua companheira
Rosa María Posada, e exigiram-lhes alimentos e uma vaca. Posteriormente, detiveram o senhor
Areiza Osorio em uma residência, na qual foi torturado e executado. Testemunhas haviam
confirmado que a vítima apresentava sinais de tortura nos olhos, ouvidos, peito, órgãos genitais e
boca. Todavia, ele foi enterrado sem que fosse realizada uma autópsia do cadáver ou certificado
de óbito, devido à ausência de autoridades oficiais. Adicionalmente, sustentam que em 30 de
outubro de 1997 foi assassinada a jovem Dora Luz Areiza. Os peticionários alegam que os
paramilitares também torturaram e executaram Rosa Barrera, empregada doméstica da igreja,
em um salão anexo ao templo.
9. Os paramilitares destruíram e incendiaram 40 casas do centro urbano da comunidade de El
Aro. Somente permaneceram intactos a capela, o posto de saúde, e oito residências. Finalmente,
os paramilitares permitiram que os habitantes pudessem sair com a advertência de
permaneceram longe do lugar pelo menos por dois meses e que não fizessem declarações às
autoridades nem aos meios de comunicação, caso contrário seriam executados. Como
consequência, cerca de 800 famílias mudaram-se do município de Puerto Valdivia e a comunidade
de Santa Rita.
10. Com relação ao roubo do gado, assinalam que os paramilitares, usando a força os habitantes
como guias, levaram os animais até Puerto Valdivia onde permaneceram por dez dias na fazenda
“La Planta” e posteriormente, foram transferidos ao município de Tarazá. Os peticionários alegam
que apesar de terem conhecimento da situação, as autoridades militares e judiciais abstiveram-se
de adotar alguma ação. Apontam que um anúncio publicado no jornal “El Colombiano”, Carlos
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