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forçado de 70 pessoas, entre membros do Partido Comunista do Brasil […] e
camponeses da região, […] resultado de operações do Exército brasileiro empreendidas
entre 1972 e 1975 com o objetivo de erradicar a Guerrilha do Araguaia, no contexto da
ditadura militar do Brasil (1964–1985)”. A Comissão também submeteu o caso à Corte
porque, “em virtude da Lei No. 6.683/79 […], o Estado não realizou uma investigação
penal com a finalidade de julgar e punir as pessoas responsáveis pelo desaparecimento
forçado de 70 vítimas e a execução extrajudicial de Maria Lúcia Petit da Silva […];
porque os recursos judiciais de natureza civil, com vistas a obter informações sobre os
fatos, não foram efetivos para assegurar aos familiares dos desaparecidos e da pessoa
executada o acesso a informação sobre a Guerrilha do Araguaia; porque as medidas
legislativas e administrativas adotadas pelo Estado restringiram indevidamente o
direito de acesso à informação pelos familiares; e porque o desaparecimento das
vítimas, a execução de Maria Lúcia Petit da Silva, a impunidade dos responsáveis e a
falta de acesso à justiça, à verdade e à informação afetaram negativamente a
integridade pessoal dos familiares dos desaparecidos e da pessoa executada”. A
Comissão solicitou ao Tribunal que declare que o Estado é responsável pela violação
dos direitos estabelecidos nos artigos 3 (direito ao reconhecimento da personalidade
jurídica), 4 (direito à vida), 5 (direito à integridade pessoal), 7 (direito à liberdade
pessoal), 8 (garantias judiciais), 13 (liberdade de pensamento e expressão) e 25
(proteção judicial), da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em conexão
com as obrigações previstas nos artigos 1.1 (obrigação geral de respeito e garantia dos
direitos humanos) e 2 (dever de adotar disposições de direito interno) da mesma
Convenção. Finalmente, solicitou à Corte que ordene ao Estado a adoção de
determinadas medidas de reparação.
3.
Em 18 de julho de 2009, o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, a
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos do Instituto de Estudos da
Violência do Estado e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (doravante
denominados “representantes”) apresentaram seu escrito de solicitações, argumentos
e provas (doravante denominado “escrito de solicitações e argumentos”), nos termos
do artigo 24 do Regulamento. Nesse escrito, solicitaram ao Tribunal que declare, “[e]m
relação ao desaparecimento forçado das [supostas] vítimas […] e à total impunidade
referente aos fatos”, a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela violação
dos artigos 3, 4, 5, 7, 8 e 25 da Convenção, todos em conexão com os artigos 1.1 e 2
do mesmo instrumento, bem como dos artigos 1, 2, 6 e 8 da Convenção
Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (doravante denominada “Convenção
Interamericana contra a Tortura”); dos artigos 8 e 25, em conexão com os artigos 1.1
e 2 da Convenção Americana; dos artigos 1, 6 e 8 da Convenção Interamericana
contra a Tortura pela falta de investigação e da devida diligência nos procedimentos de
âmbito interno; dos artigos 1.1, 2, 13, 8 e 25 da Convenção pelas restrições indevidas
ao direito de acesso à informação; dos artigos 1.1, 8, 13 e 25 da Convenção pela
violação do direito à verdade; e do artigo 5 da Convenção pela violação da integridade
pessoal dos familiares das supostas vítimas desaparecidas. Solicitaram, por
conseguinte, à Corte que ordene diversas medidas de reparação. Os familiares de 48
supostas vítimas, mediante poderes de representação outorgados em diversas datas,
designaram como seus representantes legais as organizações já mencionadas, as quais
são representadas, por sua vez, pelas senhoras Cecília Maria Bouças Coimbra,
Elizabeth Silveira e Silva e Victoria Lavínia Grabois Olímpio (Grupo Tortura Nunca
Mais); Criméia Alice Schmidt de Almeida (Comissão de Familiares de Mortos e
Desaparecidos Políticos do Instituto de Estudos da Violência do Estado); Viviana
Krsticevic, Beatriz Affonso, Helena Rocha e pelo senhor Michael Camilleri (CEJIL).