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Um amigo de seu filho Armando avisou-a de que ele estava preso. Foi procurá-lo na
DINCOTE, na delegacia e nos hospitais, sem resultado algum. Depois foi à Universidade,
onde se inteirou bem dos fatos.
Juntamente com outros familiares apresentou denúncias. Só a APRODEH lhes “estendeu a
mão”, pois todos pensavam que seus filhos eram terroristas, e por isso eram
marginalizados, não encontram trabalho e as pessoas não os veem “com bons olhos”.
A única coisa que encontrou do filho nas fossas clandestinas foram suas chaves. “Nesse
momento viu seu mundo cair, e queria morrer também; mas depois disse: ‘Não, se eu
morrer, quem falará por ele, quem pedirá justiça pelo meu filho?’”.
A investigação realizada pelo promotor Cubas foi transferida para a justiça militar, mas ali
“nunca […] aceitaram” os familiares.
Quando se encerrou o governo de Fujimori os familiares realizaram gestões junto à
Promotoria para que o caso fosse reaberto. No atual processo, no qual prestou depoimento,
“não estão [sendo julgados] os militares das mais alta patente que ordenaram que os
estudantes de La Cantuta fossem mortos”.
Foi ameaçada “muitas vezes”: recebeu telefonemas e uma coroa de flores que dizia que ia
“morrer, como [seu] filho”.
Sua família “já não é como antes. Um d[os] filhos está mal”. Às vezes os filhos reclamam
por [ela] não estar mais ao lado deles, mas explica que “é necessário continuar
caminhando”. Antes de levarem seu filho, lavava roupa e trabalhava no mercado. Deixou de
trabalhar para se dedicar a buscar justiça.
Recebeu uma indenização econômica com a qual comprou uma casa e pagou as dívidas que
assumira ao realizar investigações. Entretanto, “esse não é o preço de [seu] filho”.
No monumento “O Olho que Chora”, doado pelo Município de Jesus Maria, escreveu o nome
do filho, mas “não sabia que o Estado havia mandado construí-lo”.
c) Antonia Pérez Velásquez, esposa de Hugo Muñoz Pérez
Quando seu esposo foi detido, procurou as autoridades da Universidade, que lhe disseram
não saber de nada do que havia ocorrido. O pessoal da base militar da Universidade lhe
disse que não houvera nenhuma operação. Por essa razão, procurou delegacias, quartéis e
a DINCOTE, sem resultado algum. “Era como se a terra o houvesse tragado”.
Os meios de comunicação lhe disseram que era “praticamente […] impossível que
veiculassem alguma notícia, alguma informação porque […] tinham medo da reação do
governo”. Alguns familiares ou amigos militares lhe diziam que não fizesse nada e que
ficasse calada porque ela e os filhos corriam perigo, já que o desaparecimento de seu
marido havia “sido algo de governo, algo vindo bem do alto”.
O desaparecimento do marido a “afetou fortemente, primeiro porque de imediato [se]
transform[ou] em mãe sozinha, com dois filhos pequenos, com menos de quatro anos de
idade, e [depois porque] após [ter] uma casa bonita, cômoda, na Universidade, com uma
vida relativamente tranquila, tev[e], de repente, de abandoná-la para garantir a segurança
[dela e dos] filhos, e [teve] de [se] alojar numa casa pequena. [Pediu] moradia a um
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