-32altas horas da noite, enquanto a suposta vítima e sua família dormiam. Nesse tipo de modalidade utilizavam-se lanternas, armas de fogo, pequenas e grandes, e veículos oficiais, como os 22 denominados porta-tropas, e outros. 80.7. A complexa organização e logística associadas à prática do desaparecimento forçado exigia o emprego de recursos e meios do Estado como, por exemplo: veículos motorizados, combustível e instalações para receber o detido e mantê-lo escondido para impedir ou dificultar sua localização. A CVR mencionou expressamente o Caso La Cantuta como exemplo do uso dos recursos do Estado para praticar o desaparecimento forçado. 23 80.8. Com relação às modalidades empregadas para destruir provas dos crimes cometidos durante o desaparecimento forçado, a CVR informou em seu relatório que essas modalidades incluíam, entre outras, a mutilação ou incineração dos restos mortais das vítimas. Presença e controle militar na Universidade Nacional de Educação “Enrique Guzmán y Valle” - La Cantuta 80.9. A Universidade Nacional de Educação “Enrique Guzmán y Valle” - La Cantuta (doravante denominada “Universidade de La Cantuta”) é uma instituição pública de educação superior frequentada por pessoas do interior do país e de baixos ou escassos recursos. 80.10. Desde maio de 1991, essa Universidade esteve sob controle de um destacamento militar localizado dentro do campus universitário. Em 22 de maio de 1991, o Exército instalou na Universidade de La Cantuta um destacamento militar subordinado à Divisão das Forças Especiais (DIFE), que se denominou Base de Ação Militar e impôs na Universidade um toque de recolher e um controle militar de entrada e saída dos estudantes. O Governo havia legalizado a entrada das forças de segurança nas universidades por meio do DecretoLei no 726, de 8 de novembro de 1991, conforme consta do Relatório Final da CVR: No início de 1991, foi divulgado pela televisão local um vídeo que mostrava um ato político-cultural na Universidade de “La Cantuta”, que especulava sobre o grau de controle que o Sendero Luminoso exercia na universidade. Em 21 de maio de 1991, o ex-presidente Alberto Fujimori visitou a universidade provocando uma reação violenta dos estudantes, que o obrigou a retirar-se humilhado do campus. No dia seguinte, tropas militares tomaram o controle da Universidade Maior de San Marcos e da Universidade de “La Cantuta”, onde foram detidos 56 estudantes. Dentre os detidos estavam três dos nove estudantes que posteriormente seriam executados extrajudicialmente[, a saber, Marcelino Rosales Cárdenas, Felipe Flores Chipana e Armando Amaro Cóndor].24 80.11. Os estudantes da universidade vinham denunciando diversos abusos cometidos pelos efetivos militares instalados no campus. Em 29 de maio de 1992, as representantes da “Comissão de Residentes” da Universidade de La Cantuta levaram ao conhecimento do Reitor da Universidade, Alfonso Ramos Geldres, que, em 24 de maio de 1992, às 21h00, um total de 20 a 25 efetivos militares encapuzados, armados e bêbados se apresentaram no 22 Cf. Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, 2003, Tomo VI, 1.2. “Desaparecimento forçado de pessoas por agentes do Estado”, 1.2.6.2.1. “Invasão violenta do domicílio”, p. 86. 23 Cf. Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, 2003, Tomo VI, “Padrões na Prática de Crimes e Violações dos Direitos Humanos”, p. 99 a 100. 24 Cf. Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, 2003, Tomo VII, 2.22, “As Execuções Extrajudiciais de Universitários de La Cantuta (1992)”, p. 234.

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