pequenos e submetidas a divisões artificiais do espaço e a um controle rígido que incluía a exigência de se pedir autorização ao CLA para a construção de casas. Explicou-se que quando se concede esta autorização, o que não acontece regularmente, a autoridade administrativa é quem determina o lugar onde será feita a construção. 74. O laudo ressaltou que a escassez de alimentos e recursos nas agrovilas resultou em um aumento da pressão sobre as zonas cultiváveis e sobre os recursos hídricos e florestais. Isso comprometeu a rede de relações de troca de produtos e serviços entre os povoados e os mesmos ecossistemas. Por outro lado, mencionou-se que os quilombolas das agrovilas não tiveram áreas previamente designadas para os seus cemitérios; que houve destruição dos cemitérios tradicionais, como o cemitério do antigo Peru; e que há restrições do ingresso de quilombolas aos cemitérios em área sob o estrito controle do CLA, assim como proibição de novos enterros nesses mesmos cemitérios, contrariamente às tradições e à vontade dos quilombolas de serem enterrados junto aos seus antepassados. 75. Na sequência se reproduz a sistematização realizada pelo perito Wagner sobre alguns dos efeitos sofridos pelos moradores das agrovilas43: Denominação Peru Pepital 43 QUADRO-RESUMO Resumo dos problemas apontados pelos moradores - Pesca marítima prejudicada pela longa distância do mar; - Exigência de crachás para permitir acesso à praia; - No período de lançamento de foguetes: o CLA avisa na última hora, interdita totalmente a pesca e mantém a interdição por um tempo muito longo (45 a 60 dias), não há reparo ou qualquer indenização pelos dias parados; - Terreno das glebas (lotes) acha-se esgotado, baixa produção de mandioca obrigaos a comprar farinha para o consumo cotidiano; - Cocais são insuficientes para a quantidade de famílias assentadas; - Pesca no igarapé prejudicada (mariscos apanhados antes do tempo, afetando reprodução) pela grande pressão dos assentados e demais famílias sobre o rio de São João (Periaçu); - Controle excessivo da Aeronáutica, dificultando a construção de casa para os filhos; - Mais de 33 famílias vivendo na agrovila e sem casas para morar; - Ameaças constantes de remover as casas que teriam sido construídas na agrovila sem autorização da Aeronáutica; - A caça tornou-se inviável devido ao desmatamento; - Não têm documentação das casas e temem pelo futuro. - O estado precário das casas de alvenaria; - Glebas esgotadas e com baixa produção; - Falta de documentos de propriedade da casa e do lote ("gleba"); - Dificuldade de transporte no inverno; - A pesca está praticamente inviabilizada; - Não há babaçuais perto da agrovila; - No posto médico não há remédios; - Obrigatoriedade de comunicar à Aeronáutica antes de consertar as casas; - Nada pode ser feito nas agrovilas sem prévia autorização da Base; Anexo 2, págs. 82 e 83. 14

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