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comunitária para pedir ajuda. Então, um jornalista chamou e lhe confirmou que seu irmão
estava nesta delegacia. Seu irmão lhe disse que o torturaram bastante e, de fato, tinha
“sinais de tortura”, e “arranhões por todos lados”. Por esta razão, a testemunha quis que
fizessem um diagnóstico médico em seu irmão na delegacia, mas eles não quiseram fazê-lo.
Seu irmão lhe contou que foi torturado várias vezes no Instituto e que esteve no porão onde
levavam os internos atados e “amarrados”; às vezes os colocavam de boca para baixo, com
“os pés para cima”. Às vezes ficavam de um a três dias neste porão. Tratavam os internos
“como animais”. Além disso, teve carência de comida, que era “asquerosa”. No entanto, os
internos brigavam por um prato de comida. Se não tinham prato, muitas vezes não comiam.
Com o incêndio, a família passou um inferno por temor de que seu irmão morresse, já que
ele esteve muito mal nesses dias e lhes diziam que ia morrer. O diretor do Instituto
começou a dizer “que morram todos, se não valem a pena […] que morram todos, eles não
vão servir para nada, eles não têm futuro”. Pedro Iván Peña esteve duas ou três semanas
no hospital e depois foi transferido à enfermaria da penitenciária de Tacumbú, onde esteve
quase três ou quatro meses, e depois foi liberado. Desde então sofreu muitas perseguições
por parte dos policiais.
Seu irmão teve muitas consequências mentais e psicológicas do incêndio, já que às vezes
recorda perfeitamente o que aconteceu e às vezes não recorda nada. Há ocasiões em que se
esquece de seu nome e de sua data de aniversário. Assim, há “vezes em que está bem, mas
em outras ele está muito mal”.
Depois do incêndio, seu irmão teve tosse e sua mão ficou totalmente inútil. O corpo de seu
irmão tem cicatrizes por todos os lados: nos braços, pernas e nariz. Ele precisava de uma
cirurgia para as mãos e para o nariz, mas as autoridades rejeitaram todos os seus pedidos.
Pedro Iván Peña não aprendeu nada no Instituto. Ao contrário, esqueceu todas as coisas
boas que havia aprendido em sua família, os bons modos e o estudo. Ele era uma pessoa
boa e tranquila, mas “tudo isso terminou quando entrou aí. Depois do incêndio, ele ficou
meio maluco, traumatizado pelos maus-tratos. Ele já não é quem era antes; agora é um
espanto, digamos, mentalmente.”
Os garotos que têm antecedentes criminais sofrem perseguições permanentes e não lhes
dão trabalho. Se trabalham na rua, a polícia, que já os conhece, volta a detê-los e, se não
lhes dão dinheiro, levam-nos à delegacia e buscam algo novo para culpá-los e os levam aos
reformatórios, que são, ao contrário, “malformatórios”, já que os “deformam mental e
espiritualmente”.
O que aconteceu com seu irmão afetou muito a família no âmbito emocional e, além disso,
sofrem perseguições. Os policiais entram em sua casa sem ordem judicial, perseguindo seu
irmão.
Solicitou à Corte uma melhor vida e educação para todos os internos que agora estão em
Itauguá. Além disso, pediu proteção para seu irmão, para ela e para toda sua família, já que
são perseguidos por policiais.
b) Testemunho de Clemente Luis Escobar González, ex-interno do Instituto
Foi interno do Instituto e no momento da declaração encontrava-se no Presídio de Máxima
Segurança de Emboscada. Deveria ter conseguido sua liberdade em 9 de fevereiro de 2004,