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entrar com uma condenação de três anos. Já leva três anos e três meses e não recebeu sua
liberdade.
f) Testemunho de María Teresa de Jesús Pérez, mãe de Mario del Pilar Álvarez
Pérez, ex-interno do Instituto
Seu filho Mario del Pilar Álvarez Pérez esteve detido no Instituto. A família da senhora Pérez
é pobre e precisava de muito dinheiro para tirar seu filho de lá. Finalmente, um advogado
comentou que seu filho sairia na quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000, mas não saiu e na
sexta-feira de madrugada se queimou no incêndio.
Ficou sabendo do incêndio pela televisão. Dirigiu-se ao hospital onde encontrou o seu filho
em mal estado, já que estava todo queimado e não havia medicamentos naquele momento.
Disseram-lhe que comprasse antibiótico e sangue, mas ela não tinha “nem um guarani”, a
moeda paraguaia. Entretanto, sua irmã mais velha lhe deu o dinheiro. Vendeu tudo o que
tinha para fazer todo o possível por seu filho. Oito dias depois, no hospital, faltou luz por
quatro vezes e seu filho começou a tremer. Ela estava com ele quando morreu. Ao falecer,
Mario del Pilar Álvarez Pérez “tinha 18 [anos], hoje teria 25”. Manifestou que esse fato
lastima seu coração porque é mãe de família. Também expressou que sofre por todos os
garotos que se queimaram no incêndio.
Diz-se que o Instituto era satânico. Às escondidas, seu filho lhe contava nas visitas que os
internos passavam fome, frio, falta de roupa, nudez, torturas e garrotes. O Instituto estava
a “meia légua” de sua casa e a visita era de meia hora. Para poder entrar como visita,
faziam-na tirar a roupa para revistá-la. O Instituto parecia limpo e um médico via seu filho
porque tinha problemas no peito.
Recorda-se de seu filho todos os domingos porque era o dia em que ia visitá-lo e, para
poder levar algo, vendia qualquer coisa. No momento da declaração, seu filho havia morrido
22 antes. Além disso, sofre de pressão alta, asma e de insônia e tem “desejos de ir para
junto dele”. Seu filho a ajudava com seus irmãos, “ele era como o pai”. Acrescentou que não
esquecerá jamais o que aconteceu a seu filho porque o leva gravado em seu coração e não
há nada que a possa consolar. Tem sempre a foto de seu filho em uma moldura em casa
para nunca se esquecer dele.
Solicitou ao Tribunal “toda a ajuda possível”, já que se encontra sozinha com nove filhos e
não quer que tenham fome nem necessidade. Quer algo melhor para seus filhos para que
não aconteça com eles o mesmo que a seu filho Mario. Além disso, quer tranquilidade com o
corpo de seu filho, pois os cadáveres vão ser removidos do cemitério e não tem dinheiro
para pagar a sepultura. Portanto, solicitou que seja feita uma “sepultura para o cadáver de
seu filho”. Finalmente, pediu justiça e para saber a razão pela qual o Instituto se incendiou
e porque seu filho não saiu livre.
71.
Em 6 de abril de 2004, as representantes enviaram o testemunho da senhora Silvia
Portillo Martínez, em resposta ao disposto pelo Presidente por meio da Resolução de 2 de
março de 2004 (par. 42 supra). Esta declaração não foi prestada perante agente dotado de
fé pública (par. 86 infra). A seguir, a Corte faz um resumo das partes relevantes.
Testemunho de Silvia Portillo Martínez, mãe de Raúl Esteban Portillo, ex-interno do
Instituto
Faziam
inspeções
vaginais
nas
mulheres
que
visitavam
os
internos
do
Instituto.