23 Examinavam as garotas jovens porque levavam maconha para seus namorados. O mesmo acontece em Itauguá. A comida que as visitas levavam era registrada e “des[cartada]”. A testemunha visitou seu filho no Instituto um dia antes do incêndio. No dia do incêndio, uma pessoa chegou à casa da testemunha e lhe disse que o Pavilhão número 8 do Instituto havia se queimado. Uma filha foi pesquisar o acontecido e, quando retornou, disse-lhe que Raúl era o “que est[ava] pior”. Quando a testemunha foi ao hospital, seu filho estava irreconhecível, parecia “um monstro”. Um médico teve que lhe dizer quem era seu filho. Quando seu filho se queimou, ela “temia perder o juízo”. A família tinha perdido as esperanças e viviam praticamente no hospital, razão pela qual sua casa “ficou à deriva”. Seu filho esteve em terapia intermediária e sofreu uma infecção por causa das queimaduras, a qual “atraía moscas”. Como não tinha ventilador, a testemunha recorreu à rádio Ñandutí para conseguir um. Vários dos garotos que estavam no hospital foram morrendo. Ela, bem como sua família, sentia temor, “sentia-se traumatizada” e alterada de que seu filho tivesse “um desfecho fatal”. O hospital não contava com equipamento necessário para o tratamento, já que acabava de ser aberta a unidade de queimados. Uma médica perguntou pela família Portillo e disse a um membro da família que “se preparassem porque iam falecer todos os […] que est[avam] hospitalizados porque não havia equipamentos.” Este membro da família insistiu com o diretor para que conseguisse os equipamentos e foi à imprensa para solicitar os aparelhos para a terapia. Os aparelhos foram levados dos Estados Unidos. Somente sobreviveram dois dos internos queimados, entre os quais se encontrava seu filho Raúl. O outro sobrevivente, Raúl de la Cruz, faleceu dois meses depois. A testemunha sofreu muito no hospital, até que “um dia não podia mais” e chorava permanentemente. Em uma oportunidade, a testemunha estava resignada e “havia visto seu filho morto”. Portanto, teve de ser hospitalizada. Um dia ligaram e lhe perguntaram por seus filhos, mas estava sozinha. Disseram-lhe que se preparasse porque a seu filho os antibióticos não “chega[vam] na parte onde t[inha] a infeção […] de pulmão” e, portanto, ela devia “se preparar para a morte [de seu filho]”. Posteriormente, um especialista de outro país viu seu filho, receitou-lhe um antibiótico caro e lhe disse que se Raúl “chegasse até a” noite, sobreviveria. Quando seu filho saiu do hospital, esteve em casa “como um bebê”, já que tinham que lhe dar comida pois ele não podia “se virar sozinho”. Duas vezes por semana, seu filho ia ao centro de queimados onde lhe faziam curativos. Depois teve uma cirurgia. A testemunha pediu à Corte uma cirurgia “restauradora” ou plástica para seu filho, com a finalidade de que recupere a mobilidade e alivie suas queimaduras. Além disso, solicitou que seu filho seja “reabilitado de todas as sequelas, incluídas as respira[tórias]”. Além disso, gostaria que seu filho estudasse porque não pôde fazê-lo e ela não tem meios. A testemunha vive em uma propriedade alheia, portanto, quer uma casa em um lugar onde tenha mais possibilidades de encontrar trabalho. 72. Em 18 de abril de 2004, as representantes manifestaram que as testemunhas Pedro Iván Peña e Raúl Esteban Portillo, “[não] compareceriam à […] audiência”. Em 26 de abril de 2004, as representantes, com autorização da Corte (par. 48 supra), enviaram um vídeo juntamente com as transcrições das declarações de Pedro Iván Peña e Raúl Esteban Portillo.

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