42 “tratamento e o acompanhamento”. Por outro lado, é necessário ampliar e desenvolver o Código da Infância e Adolescência. f) Testemunho de María Zulia Giménez González, jornalista e advogada Escreveu vários artigos no jornal Noticias de Asunción, em sua condição de jornalista cronista da área “judiciária”. Por isso, em 11 de fevereiro de 2000, foi ao Instituto quando aconteceu o incêndio. Chegou depois de ocorridos os fatos, quando os internos já haviam sido transferidos a centros assistenciais; portanto, limitou-se a coletar versões das pessoas, de vizinhos e de outros internos, que lhe relataram como haveriam ocorrido os fatos. Conhecia as condições do Instituto antes do incêndio porque o visitava assiduamente, já que era sua área de cobertura. Nos dias em que os juízes visitavam, limpavam “o mal chamado [centro] correcional” e o pintavam com cal. Entretanto, quando os juízes saíam, “começava de novo o inferno”. Além disso, os internos manifestavam que havia um lugar onde eram torturados, em um porão. Ela viu o porão e como eram tratados; além disso, viu como esses meninos estavam amontoados nas celas. Por outro lado, os guardas penitenciários estavam treinados para castigar e torturar, mas não para tratar os internos como seres humanos. Além disso, a testemunha nunca viu extintores nem teve conhecimento de que tenha existido um plano de emergência no Instituto. g) Perícia de Mario Ramón Torres Portillo, psicólogo Em 1992 e 1993, participou no Instituto como assistente psicológico de maneira esporádica. Fazia voluntariado dentro das penitenciárias com autorização do Ministério da Justiça. Em 1994, convidaram-no a participar como perito do Instituto. O ambiente no sistema carcerário é paranóico, do diretor aos guardas penitenciários e aos jovens. Portanto, o acesso das organizações não governamentais é limitado. Apesar disso, quando a imprensa divulgou a situação no Instituto, o Ministério da Justiça teve que permitir o ingresso. Apesar de o Instituto ter sido denominado como uma instituição de reeducação, não cumpriu essa função, já que “e[ra] uma escola de perda de sentido da vida”. Havia um abandono absoluto no aspecto educativo e comunicacional. Esta conclusão está baseada em um trabalho de pesquisa que realizaram “Defesa da Criança Internacional”, a Promotoria Geral do Estado e o UNICEF nos anos de 1996, 1997 e 1998. Esta pesquisa não foi levada em consideração pelas autoridades estatais. Nesta pesquisa se detectou que o pensamento dos jovens adolescentes sofria um estancamento intelectual em relação ao nível conceitual e simbólico. As brigas entre adolescentes são muito comuns, mas no caso concreto do Instituto, a situação se tornava mais aguda pela falta de “contenção afetiva e ambiental adequada”. Como consequência, apresentavam-se quadros de paranóia e desconfiança. Os menores do Instituto se polarizavam em grupos contrários devido ao abandono e ao “descontentamento afetivo, social e metodológico”. As lutas e as brigas entre eles podiam ser mortais porque viviam uma angústia incontrolável e não existiam “elementos de contenção" que pudessem separá-los, contê-los ou orientá-los. Além disso, no Instituto devia ter havido um grupo de profissionais interdisciplinares que

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