os servidores, e a estrita obediência às normas que regulamentam seu uso, segundo padrões
internacionais e o treinamento da Academia de Gestão Penitenciária.
59.
No entanto, não foram informados pelo Estado os dados relativos ao fornecimento e ao
uso de munições, bombas e armamento tipo pardal no sistema carcerário. Nesse sentido,
destacou a tendência de redução de seu uso em 2017 e 2018, após a regulamentação mais
rigorosa do uso desses equipamentos. Apresentou dados a respeito de processos, investigações
e diligências em tramitação, totalizando 184, os quais tiveram início majoritariamente em 2018.
60.
Destacou os esforços envidados pela Coordenação de Monitoramento Carcerário, que
acompanha os procedimentos administrativos que envolvem os episódios de mortes desde o
ano de 2010, mediante a instauração de processos administrativos para investigar fatos como
mortes naturais e violentas, torturas, fugas e outras ocorrências no Sistema Carcerário. O
Estado mencionou sua preocupação com a integridade pessoal e a vida dos internos, além de
ações concretas de prevenção e combate à tortura e aos maus-tratos cometidos por agentes
penitenciários. Por último, se referiu à adoção de diversas ações de capacitação, educação e
ressocialização dos internos.
61.
O Estado enviou informação da Unidade de Monitoramento e Fiscalização do Sistema
Carcerário do Tribunal de Justiça do Maranhão (doravante denominada UMF) e do Núcleo de
Informação Estatística da Administração Penitenciária. Segundo a UMF, os números de mortes
registradas no Complexo foram: 67 no ano de 2013; 28 no ano de 2014; quatro no ano de
2015; e cinco no ano de 2016. Em 2017, não houve mortes violentas e, em 2018, houve duas
mortes por disputas entre facções. As mortes com investigação administrativa em curso são:
14 em 2013; 20 no ano de 2014; uma no ano de 2015; e seis no ano de 2016. Acrescentou
que houve três mortes na Penitenciária de São Luís, uma morte no EPU e uma morte na UPR
SL1, todas de causa natural, o que foi certificado em relatórios médicos. Quanto à única morte
violenta ocorrida em 2019, na UPSL, em 6 de junho de 2019, o Estado informou que uma
equipe do Instituto de Criminalística tomou as medidas apropriadas ao caso. Além disso, se
procederá à investigação de qualquer responsabilidade decorrente de omissão de funcionários
públicos. O Estado informou que a UMF publica seus relatórios com dados sobre mortes de
internos no site https://site.tjma.jus.br/umf.
62.
O Estado informou ainda que atualmente se encontram abertos 184 processos,
investigações e diligências, grande parte iniciados em 2018: 68 processos administrativos
disciplinares; 101 investigações preliminares; e 15 diligências sumárias. Observou que todas
as denúncias de desvio de conduta são investigadas e julgadas em primeira instância pela
Corregedoria do Sistema Penitenciário do Maranhão, e, em segunda instância, pelo Conselho
Disciplinar Penitenciário.
63.
Com respeito à presença de armas, sustentou que não seria possível informar a Corte
sobre a quantidade exata de armamento diário ou mensal no Complexo Penitenciário de
Pedrinhas. Acrescentou que o uso de armamento é restrito e destinado exclusivamente a casos
de extrema necessidade.
64.
Os Representantes afirmaram que a alegação do Estado quanto à disposição
normativa de reserva da informação sobre armas não deve ser considerada. Em relação às
armas utilizadas dentro das unidades do Complexo, salientaram o uso indiscriminado de
bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta e disparos de balas de borracha, além de
agressões a pessoas privadas de liberdade por parte dos agentes penitenciários e do uso de
escopetas de calibre 12 com balas de borracha. Segundo os representantes, as pessoas
privadas de liberdade informaram que as armas são usadas como instrumentos de tortura. O
abuso no manejo de armas não letais pelos agentes penitenciários também foi informado por
13