desta Lei, e às constituídas por famílias indígenas que se reagrupam em comunidades para acolher-se aos
benefícios dados por ela”. No último caso a quantidade mínima de famílias indígenas é de 20 (Artigo 9). Em relação
ao assentamento das comunidades indígenas, a Lei 904 estabelece:
Artigo 14. O assentamento das comunidades indígenas atenderá no possível à posse atual ou tradicional das
terras. O consentimento livre e expresso da comunidade indígena será essencial para seu assentamento em
lugares distintos aos de seus territórios habituais, salvo por razões de segurança nacional.
Artigo 15. Quando nos casos previstos no artigo anterior resulte imprescindível o traslado de uma ou mais
comunidades indígenas serão proporcionadas terras aptas e pelo menos de igual qualidade às que ocupavam
e serão convenientemente indenizadas pelos danos e prejuízos que sofrerem em consequência do
deslocamento e pelo valor das melhorias.
10.
Por sua vez, o artigo 22 da referida Lei 904 dispõe o procedimento para o assentamento de comunidades
indígenas em terras fiscais, e nos artigos 24 e 25 os procedimentos para o assentamento em terras do domínio
privado, que os indígenas ocupem. No artigo 26 a lei estabelece: “Nos casos de expropriação, o procedimento e a
indenização serão ajustados ao disposto na Constituição e nas Leis e para o pagamento das indenizações serão
previstos os recursos necessários no Orçamento Geral da Nação”.
11.
A Lei 43/89 que estabelece um regime para a regularização dos assentamentos das comunidades
indígenas, em seu artigo 4º estabelece: “Durante a tramitação administrativa e judicial contemplada no artigo 2º o
Instituto Paraguaio do Indígena (INDI) e o Instituto de Bem-Estar Rural (IBR) deverão propor soluções definitivas
para os assentamentos de comunidades indígenas, conforme a Lei 854/63 Estatuto Agrário e, a Lei 904/81,
Estatuto das Comunidades Indígenas, propondo a expropriação de acordo com o artigo 1º da Lei 1.372/88 quando
não se obtenham soluções por outras vias previstas”.2
12.
Tanto as disposições da Lei 904, como as da Lei 43/89 estabelecem, em ausência de
contrato de acordo com o proprietário, a expropriação como via para regularizar os
assentamentos das comunidades indígenas estabelecidas em terras do domínio privado.
Estas disposições são concordantes com as normas do Código Civil, que estabelecem que o
domínio dos imóveis perde-se por: a) sua alienação; b) transmissão ou declaração judicial;
c) execução de sentença; d) expropriação; e d) seu abandono declarado em escritura
pública, devidamente inscrita no Registro de Imóveis, e nos demais casos previstos em lei
(artigo 1967). Portanto, o artigo 1.966 enumera taxativamente as formas de aceder à
propriedade de imóveis: a) contrato; b) acessão; c) usucapião; e d) sucessão hereditária.
13.
Neste ponto deve notar-se a colisão entre a norma constitucional e o artigo 64 da Lei 1.863/02; enquanto
esta última limita as possibilidades de expropriação aos imóveis não explorados racionalmente, o artigo 109 da
2
A Lei 854/63 foi derrogada pela Lei 1.863/02.
3