cronológica das lesões encontradas em seu cadáver, nas autópsias realizadas ao senhor Urán Rojas foram evidenciadas feridas consistentes com estas observações. 361. Além disso, a Corte recorda que no momento da remoção dos cadáveres existiram irregularidades graves cometidas pelo Estado, que dificultaram o esclarecimento do ocorrido (par. 145 a 150 supra). No caso de Carlos Horacio Urán Rojas isto é ainda mais evidente, pois seu corpo foi levado antes da autópsia, a ata de remoção do cadáver não foi elaborada no local onde ocorreu a morte, mas o corpo foi movido ao pátio do Palácio da Justiça e, nesta ata, bem como na primeira autópsia, foram omitidas várias lesões encontradas no corpo. Sobre este ponto, o doutor Bacigalupo indicou, ademais, que os “traços de fumaça e a queimadura post mortem na região lombar” descritas no relatório de autópsia, demonstram que “houve uma tentativa de destruir as evidências do ocorrido, e, por isso, o corpo foi queimado”. Acrescentou que “a zona onde foram encontrados os reféns e pela qual passaram em direção a saída do Palácio, encontrava-se livre do incêndio”555. Ademais, a Comissão da Verdade indicou, a respeito do corpo do senhor Urán Rojas e dos corpos de um grupo de guerrilheiros, que “o fato de [...] terem sido lavados [...] pode indicar a intenção de apagar evidência de atos relacionados com possíveis execuções sumárias”556. Sobre estes aspectos, a Corte ressalta que o Estado reconheceu suas omissões no esclarecimento do ocorrido com Carlos Horacio Urán Rojas, bem como um inadequado manejo do local dos fatos (par. 355 supra). 362. Com relação às provas sobre a morte de Carlos Horacio Urán Rojas dentro do Palácio da Justiça, a Corte ressalta que estas não são uniformes entre si (pars. 332 a 334 supra). Portanto, este Tribunal considera que não são indícios suficientes para refutar todos os demais elementos que indicam que o senhor Urán Rojas inicialmente sobreviveu a tomada e a retomada do Palácio da Justiça. Neste sentido, é importante destacar que devido à quantidade de pessoas que se encontravam no banheiro nesse momento, e as condições do combate que ocorria no mesmo, não é descartável que os declarantes tenham observado Carlos Horacio ferido e tenham assumido que estava morto ou que o tenham confundido com outra pessoa. 363. Ao analisar os indícios anteriormente mencionados, a Comissão da Verdade determinou que o senhor “Urán [Rojas] saiu com vida do Palácio da Justiça sob custódia militar, com lesões que não tinham caráter letal”. Posteriormente, foi vítima de um disparo “’à queima-roupa’ ou a curta distância (menos de um metro) ”. Inexplicavelmente, seu cadáver apareceu no pátio do primeiro andar [do Palácio da Justiça]”557. 364. De forma similar, a Corte considera que, ao levar em consideração todos os indícios apresentados, se pode concluir que Carlos Horacio Urán Rojas foi ferido na perna esquerda dentro do Palácio da Justiça, mas saiu com vida sob custódia de agentes estatais e não foi documentada sua saída com vida nas listas de sobreviventes, elaboradas pelo Estado. Posteriormente, quando se encontrava em um estado de indefensabilidade, causado pelas 555 Relatório de autópsia n° 3.783-85 (expediente de prova, fl. 15.974); e Notas escritas de Carlos Bacigalupo (expediente de prova, fl. 36.342). 556 Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fls. 245 e 246). 557 Cf. Relatório da Comissão da Verdade (expediente de prova, fl. 230).

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