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no e ele ia nervoso, com as mãos para o alto. [Seu] marido usava óculos. [Ao chegar] à
esquina da casa […] no tumulto [viu] que [seu] marido tropeçou, e [enquanto] arrumava
seus óculos que [caíram], [ouviu] a rajada da metralhadora […]. Foram dois carabineiros
que iam com ele nesse momento. Já caiu quase morto, mas permaneceu ainda vivo e [a
testemunha], tentando socorrê-lo, hesit[ou], e [seu] filho pequeno de dois anos vinha atrás
de[la], e pediu a [seu] filho de nove anos que v[inha] atrás, para que o levasse à casa”. A
testemunha tentou se aproximar do senhor Almonacid, “mas o tenente que estava com
ele, com sua metralhadora, lhe impediu e [ela] par[ou] a dois metros dele, num muro,
para ver o que faziam com [o senhor Almonacid]. O sargento foi buscar uma caminhonete.
Trouxeram-na. […] Pegaram [o senhor Almonacid] como um saco de batatas e o jogaram
em cima. Entraram. Depois chegaram vários carabineiros […] e o levaram ao hospital[.]
Operaram-no, mas […] morreu já no dia seguinte”.
“No mesmo instante em que dispararam contra [seu] marido, sua placenta se rompeu e
[seu] filho morreu também”. Depois da morte do senhor Almonacid Arellano, sua “família
inteira foi destruída, porque [seus] irmãos ficaram sem trabalho, [seu] irmão mais velho,
que era o provedor da família, foi isolado, e […] a [ela] vigiavam eternamente, todos os
dias”.
Foi intimada uma vez pelo Tribunal Criminal, mas nunca pela Promotoria Militar e nunca
recebeu nenhum pedido do Conselho de Defesa do Estado do Chile para participar
judicialmente do caso. Prestou declaração perante a Comissão Nacional de Verdade e
Reconciliação, de modo que consta no relatório final dessa Cominssão um resumo acerca
da execução extrajudicial de seu marido, juntamente com seu nome.
Desde 1992, recebe uma pensão do Estado do Chile. Antes de receber a pensão, sobreviveu
“costurando, fazendo trabalhos em [sua] casa e com a ajuda solidária de muitas pessoas
que [lhe] ajudaram naquele momento”. O valor que recebe atualmente é suficiente para
viver “medianamente, porque [possui] uma saúde muito precária”. Dois de seus três filhos
receberam bolsas de estudo e hoje em dia são profissionais. Além disso, usam o cartão de
atenção gratuita à saúde do sistema público de saúde. Ela não pode usar o cartão porque
sua “saúde está tão ruim” que deve “recorr[er] ao que é mais rápido, mas não porque não
[lhe] sirva”. Entretanto, crê que “vai chegar o momento em que necessitará e est[á]
disposta a usá-lo”. O nome de seu marido, como medida de reparação simbólica,
encontra-se incluído no memorial feito para as vítimas da repressão da ditadura militar no
cemitério geral, além disso, existe uma rua e uma vila chamada “Luis Almonacid” na
cidade de Rancagua.
Da Corte Interamericana, espera que “se faça justiça, […] se reivindique a memória de
[seu] marido, foi instaurado um juízo imparcial […] e, na medida que […] se faça justiça,
nunca mais ninguém volte a sofrer o que [ela] sofreu”. Adicionalmente, afirmou que
deseja que “seja derrogado [o Decreto] Lei nº 2.191 e que se conclua que a lei de anistia
não serve”.
b)
Declaração de Jorge Correa Sutil, testemunha proposta pelo Estado Em
sua opinião, “as políticas do governo democrático, desde o ano 1990 até a
presente data, foram fortemente influenciadas por dois propósitos. Isto é, em primeiro
lugar, a prevenção de futuras violações de direitos humanos e, em segundo lugar, a
reparação às vítimas”.