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sangue, de coração”. Os candidatos do YATAMA são eleitos de acordo com a
tradição das comunidades indígenas. São escolhidos os candidatos em
assembleias comunitárias. Atualmente, para a eleição das autoridades comunais
deve ser consultado o Conselho Supremo Eleitoral, o que não acontecia antes. O
Estado deveria permitir aos povos indígenas selecionar seus candidatos e eleger
seus representantes no Congresso.
Para participar nas eleições municipais de novembro de 2000 na RAAS, o YATAMA
decidiu formar a aliança com o Partido Indígena Multiétnico e com o Partido dos
Povos Costeiros, porque são partidos criados para a defesa dos povos multiétnicos
e, ao terem esse propósito comum, poderiam alcançar melhores resultados na
Costa Atlântica. No entanto, o Partido Indígena Multiétnico decidiu se separar,
talvez como produto da pressão do Partido Liberal Constitucionalista. Quando foi
publicada a lista preliminar de candidatos, apareciam os candidatos do YATAMA
para as eleições da RAAN, mas não para as da RAAS. Reclamaram perante o
Conselho Supremo Eleitoral, onde lhes foi afirmado que se tratava de um
engano. Entretanto, na lista definitiva de candidatos não foram incluídos os
candidatos do YATAMA da RAAN nem da RAAS, o que não tem nenhuma
justificação, porque o YATAMA cumpriu todos os requisitos previstos na Lei
Eleitoral. No ano 2000, havia sete municípios na RAAS e se requeria que o
partido apresentasse candidatos em 80% dos municípios. O YATAMA propôs
candidatos nos sete municípios, ou seja, superou os 80% exigidos.
Em razão da exclusão do YATAMA das eleições de 2000, muitos candidatos não
puderam retornar a suas comunidades pelas dívidas que possuíam, contraídas por
motivo do processo eleitoral. Foi necessário informar às comunidades a razão pela
qual o YATAMA não participaria das eleições de 2000 e explicar como seriam
pagos os gastos ocasionados.
4.
Anicia Matamoros de Marly, proposta como candidata a viceprefeita pelo YATAMA no Município Puerto Cabezas da RAAN para as
eleições municipais do ano 2000
A testemunha pertence ao povo indígena miskito. Os candidatos são escolhidos
pelas comunidades e são submetidos a uma assembleia. Estas comunidades veem
o YATAMA como uma organização que concentra os sentimentos dos indígenas,
através da qual podem incidir em diferentes espaços. Sem o YATAMA o povo não
tem voz. As comunidades não aceitam que o YATAMA seja um partido político.
Esta caracterização deriva de uma imposição do Estado.
No momento de ser eleita como candidata teve que buscar um substituto no
trabalho. Quando se soube que o YATAMA havia sido excluído das eleições, a
comunidade responsabilizou seus líderes, mas depois foi esclarecido que não
haviam tido nada a ver com esta situação. Muitos candidatos renunciaram a seus
trabalhos para dedicar seu tempo a visitar as comunidades, e depois da exclusão
do YATAMA não puderam se reintegrar a esses empregos. Ao ficar sabendo que
sua organização não participaria nas eleições, a testemunha ficou desmoralizada
e pensou que à exclusão social que seu povo tem sofrido se somava uma nova
discriminação. Além disso, chegou a imaginar que o motivo da exclusão era seu
nome ou sua falta de capacidade. Teve de explicar às comunidades os alcances
da situação e evitar que recorressem à