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pública, sem dissimulação nem disfarce; em outras, estes haviam
previamente preparado os lugares onde se executariam os sequestros e,
ao menos em uma ocasião, os sequestradores, ao serem detidos por
agentes da ordem pública, continuaram livremente seu caminho ao
identificar-se como autoridades (testemunhos de Miguel Ángel Pavón
Salazar, Ramón Custodio López e Florencio Caballero);
iii)
As pessoas sequestradas eram vendadas, levadas a lugares
secretos e irregulares de detenção e transferidas de um a outro. Eram
interrogadas e submetidas a humilhações, crueldades e torturas.
Algumas delas foram finalmente assassinadas e seus corpos enterrados
em cemitérios clandestinos (testemunhos de Miguel Ángel Pavón
Salazar, Ramón Custodio López, Florencio Caballero, René Velásquez
Díaz, Inés Consuelo Murillo e José Gonzalo Flores Trejo);
iv)
As autoridades negavam sistematicamente o próprio fato da
detenção, o paradeiro e o destino das vítimas, tanto a seus parentes,
advogados e pessoas ou entidades interessadas na defesa dos direitos
humanos, como aos juízes em recursos de exibição pessoal. Essa
atitude ocorreu, inclusive, em casos de pessoas que depois
reapareceram
em
mãos
das
mesmas
autoridades
que,
sistematicamente, haviam negado tê-las em seu poder ou conhecer seu
destino (testemunhos de Inés Consuelo Murillo, José Gonzalo Flores
Trejo, Efraín Díaz Arrivillaga, Florencio Caballero, Virgilio Carías, Milton
Jiménez Puerto, René Velásquez Díaz, Zenaida Velásquez e César
Augusto Murillo, assim como recortes de jornal);
v)
Tanto as autoridades militares e de polícia como o Governo e o
Poder Judiciário se negavam ou eram incapazes de prevenir, investigar e
sancionar os fatos e de auxiliar quem se interessava em averiguar o
paradeiro e o destino das vítimas ou de seus restos. Quando foram
criadas comissões investigadoras do Governo ou das Forças Armadas,
não conduziram a nenhum resultado. As causas judiciais propostas
foram tramitadas com evidente lentidão e desinteresse, e algumas delas
finalmente foram encerradas (testemunhos de Inés Consuelo Murillo,
José Gonzalo Flores Trejo, Efraín Díaz Arrivillaga, Florencio Caballero,
Virgilio Carías, Milton Jiménez Puerto, René Velásquez Díaz, Zenaida
Velásquez e César Augusto Murillo, assim como recortes de jornal);
e)
Que Manfredo Velásquez desapareceu em 12 de setembro de 1981,
entre 16:30 e 17:00 horas, em um estacionamento de veículos no centro de
Tegucigalpa, sequestrado por vários homens fortemente armados, vestidos em
trajes civis, que utilizaram um veículo marca Ford de cor branca, sem placas e
que hoje, quase sete anos depois, continua desaparecido, de maneira que se
pode supor, razoavelmente, que está morto (testemunhos de Miguel Angel
Pavón Salazar, Ramón Custodio López, Zenaida Velásquez, Florencio Caballero,
Leopoldo Aguilar Villalobos e recortes de jornal).
f)
Que esse sequestro foi realizado por pessoas vinculadas às Forças
Armadas ou sob sua direção (testemunhos de Ramón Custodio López, Zenaida
Velásquez, Florencio Caballero, Leopoldo Aguilar Villalobos e recortes de jornal),