-19que verificou ser um sepultamento secundário, encontrada em Cieneguillas, já havia sido
aberta, e, ao retirar um pouco de terra, encontraram-se caixas dentro das quais foram
encontrados fragmentos de ossos queimados. Além dos ossos encontraram-se restos de
cabelo, pequenos ossos queimados, restos de tecidos, terra, cinzas, uma massa compacta e
disforme, e algumas chaves. Os fragmentos de osso e os demais objetos exalavam um
cheiro muito forte, porque, segundo os peritos, os restos mortais foram queimados quando
estavam em estado de putrefação. Na segunda fossa havia coisas pequenas. No enterro de
Huachipa, que se constatou ser o primeiro e onde as supostas vítimas teriam sido
executadas, foram encontrados alguns fragmentos ósseos não carbonizados e alguns outros
objetos.
Os médicos conseguiram reconstituir um osso completo e concluíram que as características
físicas da vítima coincidiam com as dos estudantes de La Cantuta. As provas ósseas e
materiais encontradas nas fossas de Cieneguilla permitem deduzir que nesse lugar
encontravam-se os restos mortais dos estudantes Bertila Lozano Torres, Juan Gabriel
Mariños Figueroa e Armando Richard Amaro Cóndor, “encontrando-se também restos de
objetos que pertenceram a Robert Teodoro Espinoza e Heráclides Pablo Meza”. Nas
segundas fossas encontradas em Huachipa foram achados restos humanos que não
chegaram a ser queimados, ou seja, meio esqueleto correspondente a Dora Oyague Fierro e
o esqueleto completo de Luis Enrique Ortiz Perea.
Os peritos deduziram que a execução das supostas vítimas foi realizada na madrugada do
sequestro, o que se confirmou em seguida com as declarações prestadas pelos processados
beneficiados pela “Colaboração Eficaz”.
Apresentava informação à imprensa “porque o caso era de domínio público e para proteger
a investigação e [seu] trabalho, uma vez que nessa época já havia intervenção do poder
político nos órgãos encarregados de administrar a justiça”.
Após a comprovação da possibilidade de se realizar exames de DNA em alguns dos restos
mortais, considerou-se a hipótese de que esses exames fossem realizados nos Estados
Unidos e no Japão, embora, ao final, tenha optado pela Grã-Bretanha.
O doutor Escalante, perito em genética, havia declarado que os testes de oito ossos teriam
um custo de 15 mil dólares. Em agosto de 1993, esse médico informou que “não podia
concluir as atividades”. Posteriormente, verificou-se que o custo era maior, razão pela qual
só se pôde fazer a análise de um osso, cujo resultado coincidiu com o código genético de
Felipe Flores Chipana.
Como encarregado da investigação da promotoria, sentiu-se ameaçado porque “alguns
encapuzados em caminhonetes [estiveram rondando sua casa]”.
i) Edmundo Cruz Vilchez, jornalista da Revista “SI” no momento dos fatos
Tomou conhecimento dos desaparecimentos dos estudantes de La Cantuta por meio de seu
trabalho como jornalista. As informações sobre o Grupo Colina e uma de suas operações
mais importantes, o desaparecimento do professor e dos nove alunos da Universidade de La
Cantuta, foram obtidas entre dezembro de 1992 e outubro de 1993. A revista “SI” recebeu
de um congressista “uma amostra de restos ósseos humanos com a informação de que
pertenciam aos desaparecidos de La Cantuta, além de um croqui descrevendo o lugar onde
estariam sepultados”. Esses elementos levaram à descoberta das fossas clandestinas de
Cieneguilla. A partir dessa descoberta foi aberta uma investigação do Ministério Público
sobre o Caso La Cantuta. Posteriormente, um membro do Grupo Colina estabeleceu contato
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