1974 e 1976, tenham sido assassinadas pelo menos 19 pessoas, entre as quais estavam 11
dirigentes do PCB.54 No total, entre março de 1974 e janeiro de 1976, foram detidos pela
Operação Radar 679 membros do PCB, entre eles Vladimir Herzog.55
B.
Sobre Vladimir Herzog
113. Vladimir Herzog nasceu em 27 de maio de 1937, na antiga Iugoslávia (atual Croácia)
e chegou ao Brasil em 1946, aos nove anos de idade, junto com os pais, Zigmund e Zora
Herzog. Naturalizou-se brasileiro e estudou na Faculdade de Filosofia. Iniciou a carreira de
jornalista em 1959, no jornal “O Estado de São Paulo”. Casou-se com Clarice Ribeiro Chaves
pouco antes do golpe de Estado, em 15 de fevereiro de 1964.56
114. Logo após o golpe, em 1965, instalaram-se ambos em Londres, por pouco mais de
dois anos, durante os quais Vladimir trabalhou como produtor e locutor da BBC e tiveram
seus dois filhos: André e Ivo. Em 1968, voltou ao país e trabalhou como editor cultural da
revista “Visão”. Em 1972, ocupou o cargo de secretário do programa “Hora da Notícia”, no
canal de televisão TV Cultura, e, em seguida, assumiu o posto de diretor do Departamento
de Jornalismo do mencionado canal.57
115. Além de jornalista e dramaturgo, Herzog também era membro do Partido Comunista
Brasileiro (PCB).58
C.
Operação Radar
116. A Operação Radar surgiu como uma ofensiva dos órgãos de segurança para combater
e desmantelar o PCB e seus membros, mas a Operação não se limitava a deter, tendo
também como objetivo matar seus dirigentes.59 A Operação teve início em 1973, conduzida
pelo Centro de Informação do Exército (CIE), em conjunto com o DOI-CODI do II Exército.60
A ofensiva funcionou entre março de 1974 e janeiro de 1976.
117. O DOI do II Exército foi, notoriamente, um dos piores e mais violentos centros de
repressão política do regime ditatorial, sobretudo no período em que Carlos Alberto Brilhante
Ustra esteve no comando, época em que se registrou o maior número de casos reconhecidos
de tortura, execução sumária e desaparecimentos de opositores políticos. O DOI do II
Exército deteve 2.541 pessoas e recebeu 914 presos enviados por outros órgãos. Foram 54
as vítimas reconhecidas como executadas pelo DOI e 1.348 os presos transferidos ao
Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS). 61
54
Relatório da Comissão Nacional da Verdade (expediente de prova, folhas 3249 e 3250).
Relatório da Comissão Nacional da Verdade (expediente de prova, folha 3281).
56
Depoimento em audiência de Clarice Herzog; Direito à Memória e à Verdade: Comissão Especial sobre Mortos e
Desaparecidos Políticos (expediente de prova, folhas 405 e 406). Relatório da Comissão Nacional da Verdade
(expediente de prova, folha 3299); Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. "1975: Vladimir Herzog". Em:
Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, 1964-1985. 2ª edição, 2007 (expediente de prova,
folhas 3976 e 3977).
57
MARKUN, Paulo. Meu querido Vlado. A história de Vladimir Herzog e do sonho de uma geração (expediente de
prova, folhas 8748 a 8751); Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. "1975: Vladimir Herzog" (expediente
de prova, folha 3977).
58
Direito à Memória e à Verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (expediente de prova,
folhas 405 e 407); Relatório da Comissão Nacional da Verdade (expediente de prova, folhas 1004 e 3299);
Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. "1975: Vladimir Herzog" (expediente de prova, folha 3977);
Páginas destinadas a Vladimir Herzog no livro “Direito à memória e à verdade” (expediente de prova, folha
10337.3); MARKUN, Paulo. Meu querido Vlado. A história de Vladimir Herzog e do sonho de uma geração
(expediente de prova, folhas 8759 a 8767).
59
Relatório da Comissão Nacional da Verdade (expediente de prova, folha 3317).
60
Relatorio da Comissão Nacional da Verdade (expediente de prova, folha 3273).
61
Ministério Público Federal, Crimes da Ditadura Militar, p. 228 (expediente de prova, folha 14425).
55
25