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no entanto, até o dia 30 de março daquele ano, isso não havia sido cumprido pelo juizado
de execução de sentença.
A testemunha vivia de “aluguel” e, ainda que “nunca tenha conhecido o carinho de uma mãe
nem de um pai”, sua advogada o “trata como um filho.”
A primeira vez que entrou no Instituto tinha 13 anos, mas ele não havia cometido o crime.
Na segunda vez, um advogado lhe disse que o condenariam a 18 anos e outro lhe comentou
que seria a três.
O Instituto era um desastre. Havia um porão que usavam como “sala de tortura” na qual,
como castigo, penduravam os internos em uma barra de ferro com as mãos algemadas por
uma hora. Além disso, ele quebrou o tornozelo e o atenderam apenas dois meses depois. Os
zeladores não se interessavam por nada, mas quando chegavam observadores de direitos
humanos os tratavam de outra forma. Por isso, pegaram como refém o Chefe Ortiz. Depois
desta situação, os internos tinham medo que pusessem veneno na sua comida. Se se
equivocavam nas aulas de computação os castigavam. Já nem quer se recordar do que
passava no Instituto porque todo dia lhe batiam, pois diziam que ele era chefe do grupo.
Nos dois primeiros incêndios, os internos queimaram colchões para se defender dos maustratos que recebiam por parte dos guardas do Instituto, que batiam neles “até não poderem
mais”. Os únicos que receberam ajuda para sair do pavilhão oito foram os internos do
pavilhão três. Ele havia se queimado um pouco, mas regressou para tirar da cela outro
companheiro e se queimou mais. Esteve cinco dias no hospital e depois o levaram à
Enfermaria de Tacumbú.
No último incêndio, houve um motim, no qual os guardas mataram um companheiro sem
motivo, razão pela qual os internos ficaram furiosos e começaram a queimar tudo. Os
guardas jogavam gás lacrimogêneo, davam pancadas muito fortes e, além disso,
começaram a disparar com metralhadoras. Os internos tinham facas e estiveram “a ponto
de matar dois zeladores”.
Em Emboscada, um dos guardas derramou “comida quente” em seu pescoço. Pensou em se
vingar, mas preferiu se cortar em várias partes da pele porque pensava aguentar tudo por
sua liberdade, já que fazia sete meses que estava em um porão. Pediu que chamassem sua
advogada depois que o haviam acusado de estupro e, além disso, ele queria uma análise de
seu corpo, mas o guarda carcerário lhe disse que lá se solucionava tudo com três ou seis
meses de castigo. Não pode dormir e vive um grande medo porque sua cabeça vale
dinheiro. Entretanto, tem que aguentar porque, se não for assim, o matarão com um tiro e
dirão que foi tentativa de fuga. Até na “comida” parece que colocam algum medicamento
para dormir e fazê-los mais fracos.
Pediu sua liberdade ao Tribunal porque é o único [motivo] que o mantém com vida, já que
até pensou em se suicidar. Finalmente, quer sair e não voltar a entrar, já que quer
trabalhar, ter família, ser advogado e ajudar os demais internos mais adiante.
c) Testemunho de Arsenio Joel Barrios Báez, ex-interno do Instituto
Entrou pela primeira vez no Instituto em 1997, com 14 anos de idade. O jovem expressou
que o Instituto era “um desastre”. Quando entrou, não foi atendido por nenhum médico e,
enquanto esteve internado, nunca foi condenado. No Instituto, conseguiu ver um advogado
e saiu em liberdade. Em 1998, voltou a entrar, em razão de que houve um roubo em seu