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declararam que não era culpado. A família conseguiu um advogado, “um senhor pobre”, que
não conseguiu sua liberdade porque o promotor lhes disse que “sua documentação est[ava]
arquivada”.
A testemunha ia visitar seu filho somente aos sábados e domingos porque nos dias úteis
trabalhava. Seu filho lhe descrevia os maus-tratos que lhe davam e o primeiro que percebeu
nele foi uma chamativa perda de peso, mas aparentemente se acostumou ao regime do
presídio. Seu “filho era torturado no internato pelos funcionários do presídio.” Havia
aproximadamente 30 internos em cada cela do Instituto. Em um espaço não tão grande
havia cerca de 50 internos. Alguns internos tinham camas, outros dormiam sobre colchões
no chão e outros dormiam diretamente no chão sem nenhum colchão. Tinham um banheiro
em cada quarto ou cela. Desconhece se havia médicos, mas sabe que quando os internos
tinham alguma doença unicamente eram medicados com algum comprimido.
Em 11 de fevereiro de 2000, seu filho morreu asfixiado no Instituto. A testemunha ficou
sabendo por meio da imprensa. Sergio Daniel estava dormindo quando começou o incêndio.
Quando sua esposa e ele se dirigiram ao Instituto, disseram-lhes que os internos já não
estavam lá, que haviam sido transferidos a um centro de queimados localizado em um
município próximo à capital. Eles esperaram um longo tempo no Instituto, mas não os
levaram a seu filho. Um filho mais velho da testemunha comentou que havia recebido a
informação de que retornassem a sua casa, onde entregariam Sergio Daniel.
Alguns disseram que foram os internos que iniciaram o incêndio, mas pode ter sido “outra
pessoa”. “Há muitas versões, mas […] não sabemos qual é a realidade.” Eles não receberam
nem um guarani; somente receberam o caixão.
Até agora sua família está muito triste pela desgraça que passaram. Tem onze filhos e
nenhum outro esteve no Instituto ou em nenhuma delegacia.
Espera justiça da Corte porque em seu país não a conseguiu. Solicitou que lhe seja paga
uma indenização para ter uma sepultura, já que seu filho está na de um familiar distante.
Há outras famílias que também foram afetadas por situações similares à que passou.
b) Testemunho de Rosalía Figueredo Britez, mãe de Sergio Daniel Vega Figueredo,
ex-interno do Instituto, falecido
Conheceu o Instituto porque seu filho, Sergio Daniel Vega Figueredo, esteve internado. Seu
filho foi levado pela polícia em 25 de junho de 1999. Ao chegar à delegacia para buscar seu
filho a polícia lhe disse: “Seu filho se complicou sem razão, senhora”. A testemunha não
conseguiu retirá-lo porque não tinha dinheiro e lhe pediram 500.000 guaranis para liberar
seu filho da Delegacia. Teria pagado se tivesse, mas não era assim. Por não ter dinheiro,
seu filho está morto. Em 2 de julho de 1999, seu filho foi transferido ao Instituto sem que
ele houvesse prestado uma declaração perante uma autoridade competente. Sergio Daniel
esteve no Instituto por um ano e sete meses. “Três dias depois de entrar [no] ‘Panchito’
completou seus 17 anos.” Após um ano, uma garota declarou que seu filho não estava com
eles quando aconteceu o fato pelo qual seu filho foi culpado. A testemunha manifestou ter
11 filhos, dos quais nenhum havia tido conflito com a lei.
Ela ia visitar seu filho nas terças-feiras, quintas-feiras, sábados e domingos. A visita
consistia em que os familiares iam ao Instituto e levavam as coisas que podiam. Ela levava
para seu filho comida, suco, roupa, sapatos e tudo o que precisava. Depois os guardas
tiravam o interno de sua cela das 10 da manhã até as 2 da tarde.