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20.000 dólares mensais, criava um fundo fiduciário a favor de Carlos Nair Meza com
aproximadamente um milhão de dólares, e prestava “cobertura política” em relação a uma
investigação que o esposo da senhora Meza estava enfrentando naquele momento por um
suposto desfalque milionário na obra social dos aposentados. Nesta última publicação se
relata novamente o roubo de jóias e dinheiro denunciado pela senhora Meza e se informa
sobre sua “ascensão econômica”. Neste artigo se faz expressa menção ao livro El Jefe. Vida
y Obra de Carlos Saúl Menem de onde se obteve parte da informação publicada. 21
36.
As reportagens dessa edição são ilustradas por quatro fotografias do então
Presidente Menem com seu filho Carlos Nair Meza. Em uma delas, junto à legenda
21
Cf. Revista Noticias, edição nº 985, nota 20 supra, folhas 245 a 247. Ali se lê: [‘s]e não dá comida para
seu filho, como vai dar comida ao país’. Um cartaz com este texto recorreu o território formoseño nas mãos da
deputada provincial Martha Elizabeth Meza […]. [A senhora Meza] não encontrou melhor modo de apresentar à
sociedade a suposta paternidade de seu filho, Carlos Nair (14). […] Segundo conta Gabriela Cerruti […] em seu
livro El Jefe, Carlos e Martha viveram um ‘apaixonado romance que culminou com a professora grávida e disposta
a ter seu filho. Carlos tentou convencê-la como seria difícil a situação, mas finalmente acabou aceitando com a
condição de que Zulema (Yoma, 52) não saberia. [E]m novembro [de 1981] nasceu Carlos Nair, cujo nome
significa, em árabe, ‘o sem pai’. [Uma professora] afirmou que [o menino] ‘era muito reservado sobre dizer quem
era seu pai. Apenas nos últimos meses disse que seu pai era Menem e trouxe algumas fotos ao colégio onde estava
com seu pai, quando era pequeno’. […] Aos seis anos recebeu de Buenos Aires uma pequena moto de presente e,
já mais velho, um computador. No último dia 17 de outubro, o presente foi uma Honda 100. Em mais de uma
oportunidade, Charly ligou para Menem para pedir bolsas e coisas para seus coleguinhas mais humildes, algo ao
que o Presidente sempre correspondeu. […] Nair manteve contato permanente com seu pai, a quem visitava uma
vez por mês e de quem recebia frequentes ligações. Habitualmente era o chofer de sua mãe […] quem o
acompanhava em suas viagens a Olivos, ainda que em numerosas oportunidades o fez junto à própria Meza,
especialmente a partir da expulsão de Zulema Yoma da Residência Presidencial. Em uma de suas primeiras visitas
à residência oficial, [uma pessoa próxima a Menem] organizou a seção do apartamento de quatro ambientes no
bairro Once que, desde então, [a senhora Meza] utiliza durante suas estadias porteñas. […] Ascensão Econômica:
[…] Menem presenteia [a Meza] um apartamento de 4 ambientes no Once (US$ 70.000). […] Nesse ano de 1990,
Carlos Menem convidou seu filho a passar as festas de fim de ano em Anillaco, mas Meza negou a permissão. No
entanto, nesse verão a família voltou a se reunir no complexo Presidencial de Chapadmalal, o mesmo cenário
serviu de refúgio para pai e filho nos anos seguintes. Em fevereiro de 1993, as obrigações eleitorais de Menem
limitaram o encontro a um único dia, no qual o Presidente se regozija cozinhando para o seu filho mais novo, que
permaneceu ali o resto da semana junto com o chofer de sua mãe. [O] então advogado de Zulema Yoma no
processo de divórcio contra Carlos Menem […] apresentou um questionário [no marco desse processo] dirigido a
estabelecer a suposta infidelidade cometida por este durante o período de confinamento em Las Lomitas. [A
senhora] Meza se negou a responder, mas a transcendência pública desta demanda levou a deputada formoseña a
exigir a retratação de Yoma em suas afirmações aos meios de comunicação, provocando um intercâmbio de cartasdocumento e outro novo escândalo em torno da Presidência da Nação. [Em] meados do último mês de abril,
Martha Meza e Carlos Nair estavam no registro de guarda da residência de Olivos. [O] encontro seguinte de Meza,
Carlos Nair e o Presidente –no final de maio- se concretizou nas dependências mais seguras da Casa Rosada. [...]
Em 14 de fevereiro de 1994 […] Martha Meza denunciou ameaças contra seu filho e responsabilizou o governo
nacional por sua segurança, buscando asilo político no Paraguai. A magnitude dos personagens em jogo levou o
Presidente guarani, Juan Carlos Wasmosy […], a comunicar-se telefonicamente com seu par argentino, quem lhe
teria pedido proteção à mulher e seu filho. […] ‘Meza e seu marido pediram U$S 50.000.000 para instalar-se
definitivamente nas praias de Miami. Ela ameaçou acampar junto com seu filho na Plaza de Mayo e iniciar uma
ação de paternidade perante a OEA’. [Pessoas próximas ao senhor Menem] viajaram de urgência a Assunção para
acalmar os ânimos. O [acordo extrajudicial com o senhor Menem] consistiria em uma pensão mensal vitalícia de
U$S 20.000 e um fundo fiduciário em nome de Carlos Nair, por uma cifra aproximada de um milhão de dólares;
além do apoio político para [o marido de Martha Meza, o senhor] Dorrego –ex-interventor local do PAMI na época
de Matilde Menéndez […]- a quem a Auditoria da Delegação Nacional da Obra Social dos Aposentados investigava
por um suposto desfalque milionário. [U]m setor do Governo […] avaliou a possibilidade de sugerir a Menem uma
conduta similar [a reconhecer o filho, como o havia feito o ex-Presidente francês Mitterrand], chegando inclusive a
pedir à SIDE uma pesquisa de opinião que teria confirmado os benefícios dessa alternativa […]. [A] carreira política
de Martha Meza esteve desde o começo marcada pela aura de ser, como ela não se cansa de repetir, ‘a mãe do
filho do Presidente’. [E]m novembro de 1994, Martha Meza denunciou um roubo ao cofre de seu domicílio em
Formosa. Segundo os autos do caso que tramita perante o Juízo de Rolando Cejas, teriam sido roubados ‘20 anéis,
quatro pulseiras, quatros pares de brincos e várias correntes, tudo de ouro’. Ademais, declarou: ‘[m]e tiraram um
Rolex de ouro incrustado de diamantes, presenteado pelo Presidente da Nação’, cujo valor chegaria a U$S 40.000.
Segundo a deputada, o total roubado chegaria a U$S 230.000. […] Versões judiciais indicam que […] a
preocupação da deputada estaria centrada em documentos que também teriam sido encontrados guardados no
cofre e que poderiam estar vinculados às cotas recebidas para a manutenção do menor.