290. A respeito da possibilidade de as supostas vítimas desaparecidas estarem entre os corpos exumados da cova comum no Cemitério do Sul, a Corte nota o seguinte: logo após os fatos foram encaminhados 94 cadáveres, provenientes do Palácio da Justiça, ao Instituto de Medicina Legal (60 carbonizados e 34 não carbonizados)451, dos quais 38 cadáveres foram sepultados na cova comum do Cemitério do Sul (par. 155 supra). Em 1998, foi iniciado um processo de exumação de todos os restos mortais dessa cova, a partir do qual foram encontrados 90 corpos de adultos, entre os quais os que provinham do Palácio da Justiça (pars. 192 e 193 supra). De acordo com os exames genéticos praticados em 2001, 2002, 2003, 2010 e 2012 aos cadáveres exumados nenhum destes restos foram identificados como pertencente às vítimas desaparecidas deste caso, exceto o de Ana Rosa Castiblanco Torres, identificada em 2001 (pars. 192 a 195 supra). 291. A Corte nota que o Tribunal Superior de Bogotá observou, em janeiro de 2012, que dentro do referido processo não se tinha conhecimento de haver “qualquer estudo” a 30 dos restos mortais exumados da cova comum452. Contudo, observa-se que após esta decisão, em março de 2012, a doutora Yolanda González López, perita do laboratório de genética da Promotoria, declarou no marco do processo penal contra os membros do B-2 da XIII Brigada (par. 190 supra), e afirmou que havia realizado uma comparação genética om os 90 corpos adultos exumados, dos quais não se obteve resultados em relação a cinco453, enquanto que os restantes foram excluídos de pertencerem às supostas vítimas desaparecidas, com exceção de Norma Constanza Esquerra e Irma Franco Pineda para quem não havia realizado exames454. 292. Adicionalmente, a Corte tem registro de que, em julho de 2012, foram realizados estudos em três dos cinco esqueletos dos quais não se havia obtido resultado (par. 291 supra), e foi descartado que pertenciam às supostas vítimas desaparecidas, com a exceção de Irma Franco Pineda, sobre quem não foi realizada análise455. Entre junho e setembro de 2012, foram realizados exames com referência aos familiares de Norma Constanza Esguerra Forero e Irma 451 Cf. Ofício do Instituto de Medicina Legal de 17 dezembro de 1985 (expediente de prova, fl. 37.920). Cf. Sentença do Tribunal Superior de Bogotá, de 30 de janeiro de 2012 (expediente de prova, fl. 23.046). De forma similar, em outubro de 2014, outra Turma do mesmo tribunal assinalou que os exames aos restos mortais exumados tinham sido realizados com uma “amostra de 28 cadáveres que possuíam sinais de carbonização”, e ficavam “pendentes análises e informações para serem verificadas para poder afirmar [...] que as demais vítimas [...] não estão entre os restos humanos disponíveis”. Não obstante, essa Turma esclareceu que as informações se baseavam nas provas disponíveis quando a sentença de primeira instância, de abril de 2011, foi proferida e que era conhecido, por meio da imprensa, que “o instituto de Medicina Legal continuava a verificação dos restos mortais para determinar se algum dos onze desaparecidos está entre os encontrados na cova comum do Cemitério do Sul, [...] essa não é uma informação disponível para [esse] processo”. Cf. Sentença do Tribunal Superior de Bogotá, de 24 de outubro de 2014 (expediente de prova, fls. 38.283 e 38.376). 453 De acordo com a declaração de Yolanda González López, os restos mortais fornecidos ao Laboratório de Genética dos cadáveres rotulados como 16, 18, 56, 58 e 85 apresentavam alta degradação de DNA e o departamento de identificação lhes fornecia outras partes destes cadáveres para a realização das provas genéticas pertinentes. Cf. Declaração de Yolanda González, perita do Laboratório de Genética da Procuradoria Geral da Nação, de 15 de março de 2012, perante o 55° Juizado Penal do Circuito Especializado de Bogotá (expediente de prova, fl. 14.823). 454 A respeito de Irma Franco Pineda, a perita esclareceu que nos arquivos se encontram dois relatórios “onde aparecem como processadas as amostras de [dois familiares de Irma Franco Pineda]”. No entanto, “não há nenhum resultado do processo de análise”. Cf. Declaração de Yolanda González López, de 15 de março de 2012, perante o 55° Juizado Penal (expediente de prova, fls. 14.823, 14.824, 14.829 e 14.830). 455 Os cadáveres números 16 e 56 foram comparados com as amostras dos familiares dos homens desaparecidos e foram descartados como pertencentes a Héctor Jaime Beltrán Fuentes, Bernardo Beltrán Hernández, Carlos Augusto Rodríguez Vera e David Suspes. Além disso, o cadáver número 85 foi comparado com as amostras dos familiares das mulheres desaparecidas, exceto de Irma Franco Pineda, e foi descartado a possibilidade de pertencer a Lucy Amparo Oviedo Bonilla, Gloria Stella Lizarazo Figueroa, Luz Mary Portela León, Cristina del Pilar Guarín Cortés, Gloria Anzola de Lanao e Norma Constanza Esguerra Forero. Cf. Relatórios do especialista do Laboratório da Seção de Identificação do Grupo de Genética da Promotoria Geral da Nação, de 8 e 15 de junho de 2012, (expediente de prova, fls. 37.389, 37.397 e 37.405); e Relatório do especialista do Laboratório da Seção de Identificação do Grupo de Genética da Promotoria Geral da Nação, de 5 de julho de 2012 (expediente de prova, fls. 37.414 e 37.415). 452

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