positivos”. Neste sentido, ressaltou que “é uma prova que dá positivo com contaminações que poderiam ser de fumaça”. Ressaltou que no Palácio da Justiça “houve um incêndio e pode ter havido contaminação”. Ademais, indicou que não é possível apagar a tatuagem de pólvora, mas que se “pode apagar o resíduo de fumaça, que é como uma cinza muito tênue que permanece em disparos a distâncias maiores e não a curta distância”. Adicionalmente, indicou que “o caso foi analisado por um especialista em balística da Polícia Nacional, que indicou que as lesões por projéteis de armas de fogo neste corpo foram feitas a distância, isto é, a mais de 1,5 metros”546. 353. Por outro lado, o doutor Bacigalupo indicou que “o disparo [na cabeça] foi de baixo para cima, da esquerda para a direita e da frente para trás, indicando que o atirador se encontrava na frente de sua vítima e com a arma em um plano inferior”. Os estudos realizados no cadáver de Carlos Horacio Urán Rojas coincidem com esta trajetória547, mas enquanto o doutor Bacigalupo considerou que “levando em consideração as demais lesões presentes, [... isso implicaria que] a vítima se encontrava em uma situação de indefensabilidade”, ou seja, “uma situação basicamente de execução”548, O Estado indicou que isto sugeriria que “o falecido se encontrava em um plano superior, em relação ao atirador”, que, portanto, os disparos “não ocorreram em circunstâncias tradicionalmente associadas a uma execução extralegal”549. 354. A Corte observa que as versões e interpretações das provas existentes, oferecidas pelo perito e pelo declarante, a título informativo, são contraditórias. De acordo com a informação fornecida, o disparo pode ter sido realizado à queima-roupa, a menos de um metro ou a mais de um metro e cinquenta. Ademais, levando em consideração a trajetória do disparo (de baixo para cima), existem interpretações contraditórias quanto a se é característico de uma situação de combate ou se evidencia uma situação de execução extralegal. As investigações realizadas até agora não oferecem respostas claras para solucionar estas incongruências. Sem embargo, este Tribunal considera que para efeitos da presente Sentença, não é necessário esclarecer tais controvérsias para determinar o ocorrido a Carlos Horacio Urán Rojas. B.2.d. Determinação do ocorrido a Carlos Horacio Urán Rojas 355. A Corte recorda que o Estado reconheceu sua responsabilidade internacional, por omissão, em esclarecer o que aconteceu a Carlos Horácio Urán Rojas, assim como “pelos erros cometidos no manejo do local dos fatos e no atraso injustificado nas investigações”. Não obstante, indicou que “não tem o alcance de aceitar que, frente a esta vítima, se apresentou o 546 Declaração de Máximo Duque Piedrahíta prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso; e Relatório escrito do mesmo perito (expediente de prova, fl. 36.450). A respeito, a Corte observa que apesar do Estado ter se referido a tal relatório, não apresentou provas do mesmo ou não identificou sua localização dentro da informação fornecida no expediente. 547 No Relatório realizado em 2010 pela CTI, foi estabelecido que os orifícios encontrados sugeriam que a trajetória do disparo foi “de frente para trás, de baixo para cima e da esquerda para a direita”. Além disso, o relatório pericial de 2011 coincide com tal descrição ao indicar que a lesão tem uma trajetória “anteroposterior, ínfero-superior e da esquerda para a direita”. Cf. Relatório de análises dos restos ósseos, de 23 de abril de 2010, realizado pelo Grupo de Identificação Especializada do CTI da Promotoria Geral da Nação (expediente de prova, fl. 12.154); e Relatório pericial de autópsia médico-legal, de 11 de fevereiro de 2011, (expediente de prova, fl. 15.903). 548 Notas escritas de Carlos Bacigalupo (expediente de prova, fl. 36.341); e Declaração de Carlos Bacigalupo prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso. 549 A respeito, a Corte observa que o Estado baseou tal afirmação em um relatório pericial que não contribuiu como prova ou não identificou sua localização dentro da informação fornecida ao expediente.

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