dados pessoais e mantiveram-nos em um quarto escuro; e (v) depois os transportaram a uma delegacia, de onde foram liberados no dia 8 de novembro de 1985570. 377. Além disso, constam do expediente duas declarações de Orlando Arrechea Ocoro prestadas em 1985, perante a Comissão Especial designada para investigar os eventos que ocorreram durante a tomada do Palácio da Justiça da Procuradoria Geral da Nação, e em 2007, perante a Promotoria. O senhor Arrechea Ocoro deixou o Palácio da Justiça com o senhor Quijano, em 6 de novembro de 1985, foram levados para o segundo andar da Casa del Florero, e fizeram parte do grupo de pessoas “detidas” que, em 7 de novembro de 1985, foram transferidas ao Cantão Norte e depois para uma delegacia de polícia. As declarações de Orlando Arrechea Ocoro coincidem e corroboram as declarações do senhor Quijano quanto aos fatos descritos, bem como em relação a terem sido considerados “suspeitos” e que, no segundo andar da Casa del Florero, foram mantidos de pé com as mãos sobre a cabeça, olhando para a parede, e que foram interrogados e pressionados a "confessar" que eram guerrilheiros571. Ademais, mais duas testemunhas declararam que Orlando Quijano foi conduzido ao segundo andar da Casa del Florero por “suspeita”572. 378. O Estado questionou a veracidade das declarações do senhor Quijano, baseado no que considera como sendo certas inconsistências entre suas diferentes declarações, bem como a incompatibilidade com os dados fornecidos pelo senhor Arrechea, quando se presume que estavam juntos. A respeito, a Corte nota que as objeções do Estado se concentram em dois aspectos principais: no período que estiveram na Escola de Cavalaria do Cantão Norte e na qualidade, ou qualificação, do tratamento recebido nos distintos locais. Este Tribunal constata que o senhor Quijano indicou em 1986 que na XIII Brigada573 ficaram “de pé por uma hora”, o que coincide com o que foi declarado por Orlando Arrechea (quem indicou que teriam ficado de pé “umas duas ou três horas”), enquanto que em suas declarações perante a Promotoria, em 2006, assinalou que ficou “um dia ou um dia e meio” e perante a Corte em 2013 teria indicado que ficou “um dia ou dois, não [se] lembra”574. Em primeiro lugar, a Corte considera que isto não 570 Cf. Declaração de Orlando Quijano de 8 de janeiro de 1986 perante o 41° Juizado de Instrução Criminal Ambulante (expediente de prova, fls. 24.126 a 24.128); Declaração de Orlando Quijano, de 2 de junho de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fls. 1.264 e 1.267); Declaração prestada, em 7 de novembro de 2013, perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Orlando Quijano (expediente de prova, fls. 35.892 a 35.895); Orlando Quijano, El Derecho del Derecho (O direito do Direito), 1986 (expediente de prova, fls. 15.989 a 15.991 e 15.993); e SIJIN, Mandado de soltura, de 8 de novembro de 1985 (expediente de prova, fl. 20.171). 571 Cf. Declaração de Orlando Arrechea Ocoro, de 28 de novembro de 1985, perante a Comissão Especial (expediente de prova, fls. 1.221 a 1.223); e Declaração de Orlando Arrechea Ocoro, de 18 de julho de 2007, perante a Promotoria (expediente de prova, fls. 15.216 a 15.218). 572 Cf. Declaração de Pedro León Acosta Palacio, funcionário da Casa del Florero, de 21 de fevereiro de 1986, perante o 30° Juizado de Instrução Penal Ambulante (expediente de prova, fl. 15.266). Adicionalmente, María del Carmen de Patiño, auxiliar de serviços gerais no Ministério da Justiça, declarou que soube, sem identificar por quais meios, que o advogado Orlando Quijano foi levado ao Cantão Norte, embora nunca tenha falado com ele diretamente, mas soube que o haviam maltratado porque falou com Orlando Arrechea. Cf. Testemunho de María del Carmen de Patiño, de 25 de março de 2009, perante o 51° Juizado Penal do Circuito de Bogotá (expediente de prova, fl. 15.008). 573 Em sua declaração de 1986, Orlando Quijano utilizou o nome “Brigada de Institutos Militares” para se referir à instalação militar para onde foi transferido depois da Casa del Florero. A partir de uma solicitação de explicações para melhor deliberar, tanto os representantes, quanto o Estado apresentou informações das quais é possível depreender que a XIII Brigada substituiu a Brigada de Institutos Militares (BIM) em 1982. Por conseguinte, a Corte entende que o senhor Orlando Quijano estava se referindo à XIII Brigada. Além disso, entende-se da informação fornecida que o "Cantão Norte" é uma área militar onde funcionam ou "estão alojadas" várias unidades militares, incluindo a XIII Brigada. A Escola de Cavalaria é uma unidade tática da XIII Brigada que se encontra separada por uma estrada, na localidade de Usaquén, Distrito Capital de Bogotá. 574 Cf. Declaração de Orlando Quijano, de 8 de janeiro de 1986, perante o 41° Juizado de Instrução Criminal Ambulante (expediente de prova, fl. 24.131); Declaração de Orlando Arrechea Ocoro, de 18 de julho de 2007, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 15.217); Declaração de Orlando Quijano, de 2 de junho de 2006, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.264); e Declaração prestada, em 7 de novembro de 2013, perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Orlando Quijano (expediente de prova, fl. 35.895).

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