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desta ofensa,119 os quais se mantiveram basicamente em sua concepção inicial na data da
morte do senhor Almonacid Arellano, com a exceção de que os crimes contra a humanidade
podem ser cometidos em tempos de paz e em tempos de guerra.120 Com base no exposto, a
Corte reconhece que os crimes contra a humanidade incluem a comissão de atos
desumanos, como o assassinato, cometidos dentro de um contexto de ataque
generalizado ou sistemático contra uma população civil. Basta que um só ato ilícito como
os anteriormente mencionados seja cometido dentro do contexto descrito para que se
produza um crime de lesa humanidade. Neste sentido, pronunciou-se o Tribunal
Internacional para a ex-Iugoslávia, no caso Prosecutor v. Dusko Tadic, ao considerar que
“um só ato cometido por um perpetrador, no contexto de um ataque generalizado ou
sistemático contra a população civil, traz consigo responsabilidade penal individual e o
perpetrador não necesita cometer numerosas ofensas para ser considerado
responsável”.121 Todos estes elementos já estavam definidos juridicamente quando o
senhor Almonacid Arellano foi executado.
97.
Por outro lado, o Tribunal Militar Internacional para o Julgamento dos Principais
Criminosos de Guerra (doravante denominado “o Tribunal de Nuremberg”), o qual tinha
jurisdição para julgar os crimes estabelecidos no Acordo de Londres, assinalou que o
Estatuto de Nuremberg “é a expressão do Direito Internacional existente no momento de
sua criação; e, nessa extensão, é em si mesmo uma
contribuição ao
Direito
Internacional”.122 Com isso, reconheceu a existência de um costume internacional, como
uma expressão do Direito Internacional, que proibia estes crimes.
98.
A proibição de crimes contra a humanidade, incluindo o assassinato, foi, ademais,
corroborada pelas Nações Unidas. Em 11 de dezembro de 1946, a Assembleia Geral
confirmou “os princípios de Direito Internacional reconhecidos pelo
Artigo 6.- O Tribunal estabelecido pelo Acordo aludido no Artigo 1 do presente para o julgamento e sanção
dos principais crimininosos de guerra do Eixo Europeu estará facultado a julgar e condenar aquelas pessoas
que, atuando em defesa dos interesses dos países do Eixo Europeu, cometeram os delitos que constam a
continuação, seja individualmente ou como membros de organizações:
[…]
(c) CRIMES CONTRA A HUMANIDADE: A saber, o assassinato, o extermínio, a escravidão, deportação e outros
atos desumanos cometidos contra a população civil antes da guerra ou durante a mesma; a persecução por
motivos políticos, raciais ou religiosos em execução daqueles crimes que sejam competência do Tribunal ou em
relação aos mesmos, constituam ou não uma violação da legislação interna do país onde foram perpetrados.
119
Cf. United States Nuremberg Military Tribunal, United States v. Ohlendort, 15 I.L.R. 656 (1948); United
States v. Alstotter (1948 Justice Case), in Trials of War Criminals Before the Nuremberg Military Tribunals
Under Control Council Law nº 10 Vol. III 956 (U.S. Gov. Printing Office 1951); History of the U.N. War Crimes
Commission and the Development of the Laws of War complied by the U.N. War Crimes Commission (1948);
Cf. O.N.U., Princípios de Direito Internacional Reconhecidos no Estatuto do Tribunal de Nuremberg e a
Sentença do Tribunal. Adotado pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas no ano 1950,
U.N. Doc. A/1316 (1950), part III, par. 123; artigo I.b da Convenção sobre a imprescritibilidade dos crimes de
guerra e dos crimes da humanidade, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em sua Resolução 2391
(XXIII) de 25 de novembro de 1968.
120
Cf. Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, caso Prosecutor v. Dusko Tadic, IT-94-1-T, Opinion
and Judgement, May 7, 1997, at para. 649. Isso foi posteriormente confirmado pelo mesmo tribunal em
Prosecutor v. Kupreskic, et al, IT-95-16-T, Judgement, January 14, 2000, at para. 550, e Prosecutor v. Kordic
and Cerkez, IT-95-14/2-T, Judgement, February 26, 2001, at para. 178.
121
Cf. Trial of the Major War Criminals before the International Military Tribunal, Nuremberg, Germany, (1947)
at 218.
122