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Danilo Furlan expressou que “fabricou inclusive aparelhos para fazer” a reabilitação e que
“nesses momentos sentia que tudo dependia dele” e que “ninguém [o] orientou em meio ao
seu desespero”. 410
258.
Por sua vez, o senhor Claudio Furlan manifestou que:
como era caro continuar o tratamento, recorda que o fisioterapeuta veio umas cinco vezes à casa,
então aprendeu a repetir os exercícios que Sebastián fazia com o profissional e os repetia em casa
[seu] pai tem muita facilidade com os metais e os materiais, então ele fez alguns aparelhos para
que [Sebastián Furlan] pud[esse] se reabilitar lá em casa, tudo dependia de que entrasse na
piscina, uma piscina pequena, dessas armadas em casa, para que começa[sse] a ter a parte
psicomotriz para que conseg[uisse] equilíbrio, porque volto a recordar que Sebastián não
caminhava quando saiu do hospital e tampouco tinha coordenação dos movimentos nem nada,
[seu] pai, para que começa[sse] a mover os membros o levantava pela cintura para não colocar o
pé no chão, e ele fazia como se estivesse caminhando, mas no ar, e entravam na piscina para
começar a se mover e estimular a parte motriz. 411
259. Além disso, o Tribunal observa que o senhor Danilo Furlan teve de assumir a busca
da reparação econômica para Sebastián Furlan e a família, e a proteção à saúde e à
previdência social para seu filho mais velho. Isso implicou que o senhor Danilo Furlan
mantivesse uma participação ativa no processo judicial interno:
Todo o tempo ia ao juízo. O tempo passava e a situação era cada vez mais desesperadora. Mas
nunca [lhe] davam uma resposta. Para [ele] custava muito locomover-se aos tribunais. Todo o
gasto que tinha que fazer. Além disso não era fácil porque ir ao juízo significava que outra pessoa
teria de cuidar de Sebastián. Apesar de tudo, [ele] fazia [seu] maior esforço, mas não tinha
sentido. […] Nunca lhe deram explicações sobre a demora do julgamento, simplesmente [lhe]
diziam que era demorado. 412
260. Em função do anterior, no relatório socioambiental se concluiu que “o senhor
[Danilo] Furlan se enc[ontrava] em um “estado de vulnerabilidade” e que o acidente de seu
filho “marc[ou] significativamente sua história de vida”. 413 Além disso, em alguns
momentos, exames psicológicos determinaram que o senhor Danilo Furlan sofre de
"estrutura neurótica de personalidade, com traços psicopáticos de atuação desarmônica em
situações de aumento do estresse ambiental" e se recomendou que lhe fosse dado
tratamento ambulatorial psiquiátrico-psicoterapêutico. 414
261. Tendo em conta a descrição anterior, é evidente que a demora injustificada no
processo, assim como as demais buscas levadas a cabo pelo senhor Danilo Furlan com o fim
de obter outros tipos de ajuda para seu filho, causaram nele um sofrimento grave. Não
apenas assumiu quase por completo os cuidados pessoais de seu filho, mas também deu
impulso a um processo judicial interno. O senhor Danilo Furlan abandonou seu trabalho,
410
Além disso, o senhor Furlan afirmou: “[f]ui aprendendo como ajudar com os exercícios que lhe faziam no
hospital, assim que começou a fazê-lo em minha casa e durante todo o dia, e todos os dias (respeitando e fazendo
respeitar suas horas de sono) e também levando-o nas costas a praias solitárias. Durante todo o dia estava
exercitando-se ou dormindo. Ali começou a caminhar, a ter equilíbrio. Todo o tratamento físico para sua
recuperação eu o fiz, fabriquei inclusive aparelhos para fazê-lo. Se eu tivesse seguido as indicações do Hospital a
atividade de Sebastián teria sido 50 vezes menos do que foi porque para ele devia comparecer apenas 1 hora, 2
vezes por semana”. Cf. Declaração prestada por Danilo Furlan perante agente dotado de fé pública (expediente de
mérito, folha 684).
411
Cf. Declaração de Claudio Erwin Furlan prestada na audiência pública celebrada no presente caso.
412
Declaração prestada por Danilo Furlan perante agente dotado de fé pública, folha 684.
413
Cf. Relatório socioambiental elaborado pela Licenciada Marta Celia Fernández, folhas 2501 e 2503.
414
Cf. Relatório do médico forense Manuel Mazaira de 17 de março de 1994 (expediente de anexos ao
relatório, tomo II, anexo 7, folha 789).
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