Aliança dos Povos em Defesa dos Territórios com a Secretaria de Direitos Ambientais
e Territoriais Indígenas. Além da enumeração de vários eventos realizados por
organismos governamentais para abordar demandas relacionadas à Terra Indígena
Yanomami.
81.
Quanto à existência de instâncias de diálogo permanente, os representantes
argumentaram, em novembro de 2023, que até o momento o governo fracassou na
tarefa de promover melhor comunicação com os povos indígenas, principalmente
porque não conseguiu criar outros espaços de consulta e participação social que
possam ser ativados com maior frequência e contribuir para um acompanhamento
mais regular do desenvolvimento das ações previstas para o território.
82.
Em novembro de 2023, os representantes destacaram o contínuo
descumprimento por parte do Estado da decisão judicial proferida na Ação Civil
Pública nº 1000551-12.2017.4.01.4200. Além disso, salientaram que, nessa ação
judicial, o Estado não apresentou um plano para a construção da Base de Proteção
Etnoambiental (BAPE) no rio Uraricoera. Acrescentaram que, na audiência de
conciliação, representantes da FUNAI alegaram que a referida BAPE ainda não foi
construída devido à falta de segurança na região, o que “mostraria que as ações
estatais ainda não foram capazes de neutralizar a atividade criminosa no território
indígena”.
83.
A Comissão, em junho de 2023, tomou nota de que, entre janeiro e fevereiro
de 2023, as partes realizaram ações de coordenação, com reuniões e visitas in situ,
e reconheceu as mudanças institucionais realizadas pelo Estado. Em agosto de 2023,
lembrou o nível de complexidade e gravidade da situação e reforçou a importância
de que as partes estabeleçam canais permanentes de diálogo. Recomendou que o
plano de contingência indicado pelo Estado seja estruturado de maneira conjunta,
incorporando os pontos sugeridos em suas observações de 24 de maio de 2023, bem
como medidas para reverter a “cultura” que sustenta a prática de exploração da Terra
Indígena Yanomami.
84.
Programa de Proteção de Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH):
Em dezembro de 2022, o Estado destacou ações realizadas para a proteção de
vítimas incluídas no Programa, tais como: mapeamento de riscos e ameaças por meio
da Secretaria de Segurança Pública de Roraima, rondas de proteção no Instituto
Socioambiental e Hutukara Associação Yanomami, orientação para a preparação de
relatórios sistemáticos sobre ameaças à integridade física e acompanhamento de
Investigações e Ação Civil Pública.
85.
Em março de 2023, o Estado observou que, até a instalação do “Escritório de
Crise”, D.K.Y. era o único líder Yanomami incluído no PPDDH. Ele reconheceu que,
em 2022, o mandado de captura de D.K.Y. foi suspenso, o que contribuiu para que
ficasse exposto a possíveis ataques. Do mesmo modo, como forma de mitigar os
riscos e ameaças, o PPDDH entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública
do Estado de Roraima (SESP/RR), solicitando que adotasse patrulhas periódicas na
residência de D.K.Y. Após o diálogo, o retorno imediato da medida de segurança foi
confirmado por D.V.K., filho de D.K.Y., bem como pela própria SESP/RR. Por fim,
destacou que, em 31 de janeiro de 2023, o MDHC incluiu J.H. no sistema de proteção,
e que foram tomadas medidas imediatas para garantir sua segurança.
86.
Em setembro de 2023, o Estado observou que, segundo informações obtidas
pelo PPDDH, não há notícias de ameaças diretas a D.K.Y. atualmente. Em que pese
a isso, reconheceu que o contexto de retirada dos garimpeiros da Terra Indígena
Yanomami, iniciado em 2023, mostra a necessidade de monitoramento constante e
da adoção de medidas preventivas de segurança. Portanto, o caso continua sendo
acompanhado pela política de proteção. Na mesma oportunidade, o Estado
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