92.
Atenção de saúde e segurança alimentar: Em março de 2023, o Estado
argumentou que o Distrito Sanitário Especial Indígena do Rio Tapajós (doravante
denominado “DSEI-RT”) utiliza uma ferramenta de avaliação específica para
classificar a situação nutricional, elaborada pela SESAI, disponibilizada em todo o
território das Equipes Multidisciplinares de Saúde ativas, para a coleta de dados,
análises e posterior intervenção em saúde, por meio do Sistema de Vigilância
Alimentar e Nutricional – SISVAN. Além disso, acrescentou que: (i) oferece vitamina
A, do sexto mês de vida aos 59 meses e 29 dias, com intervalo de seis meses entre
cada ingestão em duas apresentações; (ii) para a prevenção de anemia, oferece ferro
elementar na faixa etária de seis a 24 meses, diariamente durante três meses, após
um intervalo de três meses antes de iniciar um novo ciclo; (iii) também oferece o
NutriSUS para crianças de peso baixo e muito baixo, de seis a 59 meses e 29 dias de
idade. Além disso, o Estado acrescentou que realiza práticas que contribuem para o
acompanhamento integral das famílias, por meio de atenção domiciliar, educação em
saúde e acompanhamento realizado por profissionais de serviços sociais, psicologia,
cirurgiões-dentistas e nutricionistas.
93.
Em setembro de 2023, o Estado informou sobre a Campanha Nacional de
Malária, do Ministério da Saúde (MS), que tem por objetivo esclarecer aspectos dessa
doença, seus sintomas, prevenção e tratamento. 22 Do mesmo modo, o Estado
destacou o Plano Nacional de Eliminação da Malária (PNEM), que busca definir
objetivos e estratégias para a proposta de eliminação da doença no país. Na primeira
fase do plano foi destacada a preparação para a eliminação da malária, chegando a
menos de 68 mil casos em 2025 – e a última fase prevê que o país esteja livre da
malária a partir de 2035.
94.
Além disso, o Estado reiterou informações já prestadas de que o DSEI-RT
atende a várias populações indígenas da região – entre elas as etnias Munduruku,
Munduruku Carapreta, Kayapó, Kayabi, Apiaká, Tembé, Cumaruara e Maitapu – e
conta com 11 Centros de Base e quatro Casas de Saúde Indígena (CASAI) para
atender a essas populações. Acrescentou que, em razão da prioridade da atual gestão
do Ministério da Saúde de reconstruir a saúde indígena, o Estado enviou 117 médicos
por meio do programa “Mais Médicos” para reforçar a atenção de saúde nos 34
distritos sanitários indígenas – quatro deles direcionados para o DSEI-RT. O Estado
destacou que, no que diz respeito à infraestrutura para reforma e construção de
UBSI, o Ministério da Saúde investiu R$ 60 milhões em territórios indígenas para
saneamento e edificação em 2023 – um aumento de 223% em relação ao primeiro
semestre de 2019. Salientou que os resultados são 66 novas obras que beneficiarão
38 comunidades e 13 mil pessoas e defendeu também que, do investimento total,
R$ 40,9 milhões foram destinados a saneamento e R$ 18,7 milhões a edifícios. Do
mesmo modo, foram contabilizadas 47 obras de saneamento, entre implementações,
reformas e ampliações de Sistemas de Abastecimento de Água (SAA) e Módulos
Sanitários Domiciliares (MSD), e 19 obras de edificação de saúde como Unidades
Básicas de Saúde Indígena (UBSI), Casas de Saúde Indígena (CASAI), Sede do DSEI,
alojamentos e Centros de Base.
95.
Os representantes, em janeiro de 2023, alegaram que a Secretaria Especial
de Saúde Indígena continua não respeitando o Protocolo de Consulta Munduruku ao
contratar profissionais pariwat (não indígenas), mediante um processo que carece de
transparência e participação dos povos. Em abril de 2023 e julho de 2023,
observaram que a malária voltou a ser uma preocupação para a saúde dos
Munduruku, especialmente nos Povos do Alto Tapajós (rio das Tropas e rio Kabitutu),
uma vez que os números do Boletim Epidemiológico fornecido pelo DSEI -RT
22
Pesquisas no portal da campanha mostraram materiais de divulgação sobre a malária – como
vídeos, folhetos e cartazes. Disponível no link: https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-dasaude/2023/malaria.
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