especificidades da ADPF nº 709/2020, o DSEI-RT implementou: (i) o
acompanhamento semanal de casos de covid-19 pelo Centro de Informações
Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS); (ii) reuniões mensais da Comissão de
Vigilância covid-19, para apoio e monitoramento das ações; (iii) a criação e
divulgação de fluxograma para realizar testes em todos os pacientes que deles
necessitam; (iv) a testagem mensal dos empregados que ingressam em território
indígena; (v) a testagem em massa de covid-19 realizada em 02/12/2022 na sede
do DSEI; (vi) a testagem em massa de covid-19 no dia 09/12/2022 em todos os
Centros de Base e CASAI; (vii) a capacitação de novos empregados (técnicos de
enfermagem) do DSEI-RT.
102. Segundo os representantes, além de “fornecer dados genéricos sobre o
acompanhamento dos casos pelo DSEI-RT, o Estado só informou que as equipes
continuam trabalhando na imunização de todos os grupos prioritários do território”.
103. Contaminação por mercúrio: O Estado argumentou, em setembro de
2023, que as equipes de saúde monitoram todos os casos de contaminação por
mercúrio registrados entre a população indígena e, no âmbito federal, a Vigilância
Sanitária das populações expostas ao mercúrio é desenvolvida com o objetivo de
cumprir as recomendações da Convenção de Minamata sobre Mercúrio e da
Organização Mundial da Saúde (OMS), também de acordo com as especificidades
locais e diretrizes da Política Nacional de Vigilância Sanitária.
104. Os representantes esclareceram que o Estudo “Monitoramento clínico e
laboratorial dos níveis de mercúrio no Povo Munduruku do Alto Tapajós”, de Erik
Leonardo Jennings Simões, concluiu que: “[...] 99,09% dos pacientes atendidos
apresentam níveis superiores aos recomendados pela OMS (até 10μg/L, ou seja, 10
microgramas de mercúrio por litro de sangue), com nível médio de 67,2μg/L. [...]
constatou-se que 72,72% dos indivíduos relataram algum sinal ou sintoma físico
sistêmico, dos quais 87,5% foram de origem neurológica". Além disso, destacaram
que mesmo nos rios que não possuem histórico de mineração ilegal, como o rio
Cururu, os indígenas apresentam altos níveis de mercúrio no sangue.
105. Em abril e julho de 2023, os representantes ressaltaram que o Estado
“mantém silêncio diante da alarmante situação de contaminação [por mercúrio] de
membros do Povo Munduruku”. Acrescentaram ainda que uma profissional de saúde
indígena que trabalha com os Munduruku informou que as equipes perceberam um
aumento no número de crianças com problemas neuromotores em territórios com
alta concentração de garimpo, semelhante à doença de Minamata. Do mesmo modo,
a profissional de saúde observou que o DSEI-RT detém o recorde de solicitações de
cadeiras de rodas, a maioria delas destinadas a crianças nascidas com malformações
cerebrais. Por fim, os representantes destacaram que, no Povo de Karo Muybu, às
margens do rio Tapajós, os moradores reclamam que as crianças sentem coceira no
corpo após tomar banho no riacho, contaminado por resíduos de um garimpo
próximo.
106. Em novembro de 2023, os representantes relataram que o Estado
“demonstrou negligência em relação ao cumprimento das Medidas Provisórias” a
respeito dos casos de contaminação por mercúrio, uma vez que não apresentou
informações concretas sobre as medidas destinadas a responder e monitorar os casos
observados entre os Munduruku.
107. Acesso a água potável e a alimentação: Em setembro de 2022, o Estado
informou que possui Sistemas de Abastecimento de Água (SAA) com tratamento, nos
quais o controle da qualidade da água é realizado por meio de análise de parâmetros
físico-químicos e bacteriológicos. Relatou que o DSEI-RT conta com 45 Agentes
Indígenas de Saneamento (AISAN) e que foram implementadas tecnologias de
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