19 55. Cidadãos de vários países, entre eles uruguaios, bolivianos e chilenos, foram detidos em Automotores Orletti e, em seguida, trasladados a seus países, onde foram entregues às forças militares da Operação Condor.46 56. A partir de 1976, e particularmente em seguida ao golpe de estado militar na Argentina, o número de desaparecimentos e execuções extrajudiciais de exilados e refugiados aumentou de maneira significativa neste país.47 Em alguns casos, pretendia-se apresentar os refugiados como invasores terroristas 48 e assim, por exemplo, entre os meses de julho a outubro daquele ano foram realizadas operações conjuntas das forças militares argentinas e uruguaias, nas quais foram sequestrados mais de 60 uruguaios em Buenos Aires.49 57. A Força Aérea uruguaia indicou, de acordo com o “Relatório da Comissão Investigadora sobre o destino final de 33 cidadãos detidos no período entre 27 de junho de 1973 e 1 de março de 1985”,50 apresentado em agosto de 2005 pelo Comandante em Chefe do Exército a pedido do Presidente Tabaré Vázquez, que os voos de pessoas detidas em Buenos Aires e trasladadas a Montevidéu foram ordenados pelo Comando Geral da Força Aérea a pedido do Serviço de Informação de Defesa (SID) e coordenadas por esse mesmo serviço.51 58. Alguns sobreviventes uruguaios, após serem trasladados a Montevidéu, foram levados a uma prisão clandestina (chamada “casa de segurança”) e submetidos a torturas diárias. Durante vários meses foram transportados a outro centro clandestino de detenção. Os sequestradores utilizavam várias técnicas e códigos para evitar serem reconhecidos facilmente pelos detidos e dispunham de autonomia para realizar outros tipos de atividades criminosas, incluindo extorsão e saques, que em princípio não estavam ligadas ao propósito de combater a atividade qualificada como “subversiva”.52 46 Cf. J.P. McSherry, Los Estados Depredadores: la Operación Cóndor y la Guerra Encubierta en América Latina, nota 33 supra, pág. 32, folha 2838; John Dinges, Operación Cóndor. Una década de terrorismo internacional en el Cono Sur, págs. 282 e 337, nota 36 supra, folha 2748; Nunca Más. Informe Final de la Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas; capítulo 1.K: Centros Clandestinos de Detención (C.C.D), nota 23 supra; Juiz de Primeira Instância Penal de 19° turno de Montevidéu, Sentença 036 de 26 de março de 2009, nota 39 supra, folhas 1244; Juiz de Primeira Instância Penal de 19° turno de Montevidéu, Sentença 037 de 26 de março de 2009, nota 39 supra, folhas 1102. 47 Cf. J.P. McSherry, Los Estados Depredadores: la Operación Cóndor y la Guerra Encubierta en América Latina, nota 33 supra, págs. 151, 152 e 155, folhas 2898, 2899 e 2900; U.S Department of State, “UNHCR discusses Chilean, Uruguayan refugee matter”, 26 de dezembro de 1984, Collection: State Argentina Declassification Project (1975-1984), págs. 3 e 4, par. 6. Disponível em: http://foia.state.gov/documents/Argentina/0000A8AD.pdf, último acesso em 23 de fevereiro de 2011. 48 Cf. John Dinges, Operación Cóndor. Una década de terrorismo internacional en el Cono Sur, págs. 148 e 193, nota 36 supra, folhas 2681 e 2703; J.P. McSherry, Los Estados Depredadores: la Operación Cóndor y la Guerra Encubierta en América Latina, nota 33 supra, pág. 174, folha 2910. 49 Um telegrama confidencial de 2 de novembro de 1976 do embaixador estadounidense na Argentina, Robert Hill, revela que forças uruguaias e argentinas atuaram em comum acordo para prender refugiados uruguaios na Argentina: “[...] the kidnappings of Uruguayan refugees in July and September were carried out by Argentine and Uruguayan security forces, acting clandestinely and in cooperation.” Cf. U.S Department of State “Subject: GOA Silent on Uruguay Revelation of Terrorist Plot”, Par. 3. Disponível em: http://www.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB73/761102dos.pdf, último acesso em 23 de fevereiro de 2011; U.S Department of State, “UNHCR discusses Chilean, Uruguayan refugee matter”, 26 de dezembro de 1984, supra nota 48; J.P. McSherry, Los Estados Depredadores: la Operación Cóndor y la Guerra Encubierta en América Latina, nota 33 supra, p.155, folha 2900. 50 Cf. Investigación Histórica sobre Detenidos y Desaparecidos en cumplimiento del artículo 4 de la ley 15.488 de 2007, nota 23 supra, tomo IV, Relatório da Força Aérea uruguaia, 8 de agosto de 2005, págs. 76 a 105. 51 Cf. Investigación Histórica sobre Detenidos y Desaparecidos en cumplimiento del artículo 4 de la ley 15.488 de 2007, nota 23 supra, tomo IV, Relatório da Força Áerea uruguaia, 8 de agosto de 2005, págs. 93; Sentença 036 de 26 de março de 2009, nota 39 supra, folhas 1244; Juiz de Primeira Instância Penal de 19° turno de Montevidéu, Sentença 037 de 26 de março de 2009, nota 39 supra, folha 1102. 52 Cf. Investigación Histórica sobre Detenidos y Desaparecidos en cumplimiento del artículo 4 de la ley 15.488 de 2007, nota 23 supra, tomo I, pág. 293; Testemunho de Roger Rodríguez, prestado perante agente dotado de fé pública em 23 de setembro de 2010, prova, folha 5111; C. Demasi, A. Marchesi, V. Markarian, A. Rico e J. Yaffé, supra, La Dictadura Cívico-Militar, Uruguay 1973-1985, nota 30 supra, pág. 284, folha 2549.

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